Enquete

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Semana passada, postei a pergunta abaixo no Facebook:

Ao se deparar com um erro de português em um texto (texto mesmo, não comentário de FB) de um colega profissional de revisão, o que você faz?

  1. Faço vista grossa e fico indignado. Afinal, ele trabalha com revisão e não deveria escrever textos com erros.
  2. Faço vista grossa, mas entendo perfeitamente. Afinal, errar é humano. Pode acontecer com qualquer um.
  3. Entro em contato com ele e aviso que o texto está errado. Afinal, quanto antes ele corrigir, melhor.
  4. Quase morro de vontade de avisar que o texto está errado, mas não aviso. Afinal, vai que ele se ofende?
  5. Depende do erro. Se for uma mísera vírgula, não aviso. Se a mísera vírgula estiver entre sujeito e predicado, aí eu aviso.

Felizmente obtive várias respostas, mas naquele momento não entrei em detalhes nem quis dar muitas explicações sobre o motivo pelo qual fiz a postagem. Pois bem, explico.

Trata-se de uma experiência pessoal e, na minha opinião, bastante enriquecedora, já que rendeu como frutos uma postagem bastante ativa no Facebook e mais este post que você está lendo. Enfim, há algum tempo publiquei no meu blog um texto sobre gramática que tinha um erro de gramática. Imagine só, é uma situação superchata. Então, uma boa alma* entrou em contato comigo por meio de uma colega de trabalho, me alertando sobre o erro e sugerindo uma correção.

Sem pensar duas vezes, voltei correndo ao texto do blog e corrigi o problema. Acredito que não chegava a ser um erro tão aparente, visto que somente aquela boa alma* entrou em contato para avisar. Por outro lado, fiquei me perguntando se outras pessoas teriam percebido a existência do erro, mas, por um motivo qualquer (receio, vergonha, medo, sei lá…), decidiram não me avisar. E foi assim que nasceu a pergunta postada no Facebook.

Enfim, agora que já expliquei a gênese disso tudo, chega de blábláblá e vamos ao que eu acho de cada opção. Importante lembrar que a minha humilde opinião já estava pronta antes da postagem do FB. Ou seja, não fui influenciada pelos comentários de vocês.

1. Faço vista grossa e fico indignado. Afinal, ele trabalha com revisão e não deveria escrever textos com erros.

Bom, se a pessoa se diz profissional de revisão e trabalha o dia inteiro com textos, correções e ainda faz avaliações dos outros, teoricamente ela não deve escrever textos com erros. Não podemos negar: esse tipo de deslize é feio (sim), é chato (sim) e, se ocorrer com frequência, pode prejudicar (sim) a imagem do profissional da palavra. Ou seja, ele definitivamente não sai bem na foto.

2. Faço vista grossa, mas entendo perfeitamente. Afinal, errar é humano. Pode acontecer com qualquer um.

Ok. Mesmo trabalhando o dia inteiro com textos, correções e avaliações dos outros, o profissional de revisão é um ser humano que também está sujeito aos infortúnios da fadiga. Vai que ele não dormiu direito, ou que havia um bebê chorando ao lado, ou um parente doente… Enfim, acontece com todo mundo, não tem jeito. Além disso, por mais que a gente leia 50 vezes o mesmo texto, nossos olhos se cansam e nos enganam (aliás, quanto mais a gente lê a mesma coisa, mais os olhos enganam). Chegamos a um ponto em que simplesmente passamos despercebidos pelos erros. Isso acontece mesmo. Todo santo dia.

3. Entro em contato com ele e aviso que o texto está errado. Afinal, quanto antes ele corrigir, melhor.

Particularmente acredito que esta seja a melhor opção, principalmente se a sua relação com a pessoa que cometeu o erro for de amizade. No entanto, mesmo que você não seja amigo da pessoa, o grau de profissionalismo dela pode ser um bom parâmetro para fazer ou não contato com ela. Ou seja, se você sabe que a pessoa é racional e age com maturidade e profissionalismo, é possível considerar uma abordagem delicada, sutil e particular (um e-mail pessoal, a inbox do Facebook…) para uma sugestão de correção. Por outro lado, por mais que a intenção seja boa, ninguém está livre de entrar em contato com um jerico e receber uma voadora nas costas. O que nos leva à próxima opção.

4. Quase morro de vontade de avisar que o texto está errado, mas não aviso. Afinal, vai que ele se ofende?

Essa preocupação é totalmente relevante. Por mais que a nossa intenção ao indicar o erro seja boa, infelizmente há quem pense que a gente só quer criticar, colocar o dedo na ferida e expor a pessoa ao ridículo. Consequentemente, esse tipo de pessoa que reage de maneira tão negativa a um problema acaba repelindo possíveis contatos profissionais, além de desperdiçar contribuições bacanas, boas sugestões, ideias e críticas positivas.

5. Depende do erro. Se for uma mísera vírgula, não aviso. Se a mísera vírgula estiver entre sujeito e predicado, aí eu aviso.

Acredito que esta opção seja superválida para pessoas dispostas a considerar a relevância do erro e o impacto que ele causará no público-alvo. Vamos analisar o uso das vírgulas, por exemplo: um erro de vírgula entre sujeito e predicado certamente não tem o mesmo impacto que a ausência ou não da vírgula que diferencia as orações subordinadas explicativas das restritivas. Ou seja, se o erro da pessoa é algo muito básico e de grande visibilidade, vale a pena avisar o quanto antes. Por outro lado, se for um daqueles problemas que nossa professora de português se enrolou para nos ensinar na escola e que nem mesmo os gramáticos entendem direito, talvez avisar não seja tão primordial assim.

Bom, essa foi a minha humilde opinião sobre cada uma das opções, e eu gostaria de agradecer a todos que participaram e se envolveram comentando e respondendo a enquete no Facebook. Vi pessoas escolheram decididamente uma das opções, vi outras que escolheriam mais de uma, algumas apenas comentaram sem escolher… e, no fim, aprendi um pouquinho com todos. Se você não respondeu pelo Facebook, sinta-se à vontade para responder pelo blog mesmo, no campo “Deixe um comentário”.

Por fim, fica o meu agradecimento mais do que especial à boa alma* que entrou em contato comigo avisando sobre o erro. Boa alma*, fico muito feliz em saber que olhos atentos e cuidadosos como os seus andam lendo meu blog, e tenho certeza de que muitos outros profissionais aceitariam de bom grado “palpites” de pessoas como você .

*Se quiser que seu nome seja revelado, me avise!


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