Por que eu amo revisar?

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Por que eu amo revisar?

Ontem foi dia do tradutor (viva, Jerônimo!), e muitos colegas fizeram postagens sobre os motivos pelos quais amam ser tradutores. É claro que eu também amo traduzir, mas curiosamente esse clima todo me fez pensar bastante nos meus motivos para amar ser revisora. Como não aguento esperar até março para expressar meu amor pela revisão, fiz um resuminho desses motivos e decidi postar hoje mesmo. Revisores de plantão, depois me digam se a energia que nos move é a mesma. Eis os meus motivos:

1- Fazer parte do desenvolvimento profissional dos colegas

O bacana de revisar frequentemente os textos de um determinado grupo de pessoas é ver o aprimoramento da qualidade das traduções delas; modéstia à parte, mais bacana ainda é saber que tem dedo seu nesse aprimoramento. Como sou responsável por enviar e registrar feedbacks detalhados dos tradutores quase diariamente, tenho em mãos todos os textos avaliados e todas as informações sobre os erros cometidos em cada amostra analisada (o que dá um corpus bem interessante). Ou seja, posso comparar a primeira tradução de um fornecedor com a última, e fico muito feliz em dizer que, na maioria dos casos, o progresso da qualidade é evidente.

2- Ganhar a confiança das pessoas avaliadas

O fator confiança depende muito da relevância e da argumentação das correções sugeridas. Isto é, se você sugere uma correção, explica o motivo de tal correção e de quebra ainda oferece um embasamento teórico (uma fonte de pesquisa ou uma referência confiável que confirme o que você acabou de dizer), suas chances de ganhar a confiança da pessoa avaliada são muito grandes. Resumindo: não dê o peixe; ajude a pessoa a aprender a pescar. Mostre o problema e explique de onde você tirou a solução.

Por outro lado, se suas explicações são vagas e seus argumentos nunca convencem, a pessoa avaliada terá toda a razão do mundo para desconfiar dos seus feedbacks. Portanto, caro revisor, trate de estudar o assunto e dar justificativas plausíveis para as alterações que você sugerir. Esqueça esse papo de “está errado porque eu não gostei” e siga em frente com argumentos fundamentados em regras e explicações decentes.

3- Trabalhar em colaboração com profissionais de outras áreas

Ser revisora não faz de mim uma especialista em petróleo e gás, engenharia mecânica, medicina odontológica ou astronomia, por exemplo. No entanto, volta e meia trabalhos dessas áreas podem cair no meu colo, e eu tenho que revisar. Mas eu sou formada em Letras, e aí? Não adianta, não tenho como fugir. Nesses casos, me restam duas opções: torcer para que o cliente tenha um belo glossário e fontes terminológicas excelentes ou torcer mais ainda para que eu possa entrar em contato com o tradutor.

Quando o contato com o tradutor não é possível, infelizmente o meu trabalho se resume a conferir se o glossário e as instruções terminológicas do projeto foram seguidas (além de fazer pesquisas e corrigir o português, claro). Entretanto, quando o tráfego na via revisor > tradutor está sem congestionamentos, eu aproveito para verificar minhas dúvidas com quem realmente entende do assunto.

Senhor revisor, atenção especial ao verbo verificar dúvidas. Se você não entende do babado, não faz sentido algum sair canetando o texto do tradutor, afirmando de cara que ele está errado. Faça uma listinha das palavras que te causaram estranheza por algum motivo e peça ajuda ao tradutor. Só um profissional formado no assunto poderá dizer se o seu desconfiômetro funcionou direito ou não. Ou seja, se você só tem formação linguística, “baixe a bola” ao revisar textos de outras áreas e não hesite em pedir a ajuda de especialistas.

4- Aprimorar meu conhecimento geral e me desenvolver como profissional

A parte boa de trabalhar com textos de várias áreas todos os dias é aprender um pouquinho com cada uma delas, o que é um prato cheio para o conhecimento geral. Se o item 1 fala sobre a participação do revisor no desenvolvimento dos avaliados, o objetivo deste item 4 é mostrar que muitas pessoas avaliadas também colaboram para o desenvolvimento do revisor.

Importante dizer que essa troca de informações não acontece somente nas áreas que desconheço, mas também na minha área de formação (Letras). Volta e meia aprendo uma regrinha nova de português, um macete interessante de gramática ou alguma dica que me ajude a nunca mais esquecer a regência escabrosa de algum verbo, e essas contribuições vêm justamente das pessoas que eu avalio. Essa é uma das muitas vantagens de estabelecer uma relação saudável de diálogo entre avaliador e avaliado: os dois lados só têm a ganhar.

Por fim, esses são apenas alguns dos motivos que me fazem amar minha profissão, e espero que você ame também, amigo revisor. Acredito de verdade que nossa função como avaliadores e “emissários de feedbacks” tem tudo para ganhar a confiança e a simpatia de muita gente. Basta tomarmos cuidado e as devidas precauções, mas isso é assunto para outro post.


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