Pra bom perguntador, só perguntar não basta

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Pra bom perguntador, só perguntar não basta

Sou perguntadeira desde criança e acredito que as perguntas são uma bela fonte de discussão dos mais diversos temas. Então, decidi escrever este post porque vejo aos montes profissionais que não sabem fazer perguntas (e não estou falando só da área de tradução).

Na hora de enviar um questionamento, procure “mastigá-lo” e já deixar preparada uma resposta, em vez de só jogar a pergunta nua e crua para seu cliente/colega resolver. Não entendeu? Dê uma olhadinha nos dois exemplos abaixo e veja se esclareci:

  1. “Prezado cliente/colega, achei os termos A e B no seu material de referência. Qual eu uso?”
  2. “Prezado cliente/colega, achei os termos A e B no seu material de referência. Procurei priorizar o uso de A em tal caso por tal motivo, mas notei que B também pode ser usado. Você tem alguma preferência?” 

Viu? A primeira pergunta indica que você achou uma incoerência no material, mas não propõe uma solução. Resumindo, você viu que há um problema, mas a impressão que passa é a de que não houve esforço para resolvê-lo. Você apenas o identificou e jogou a batata quente para a outra pessoa.

Já a pergunta B soa muito mais elaborada e menos preguiçosa. Com ela, você mostra que buscou uma solução (“Procurei priorizar o uso de A”), oferece um argumento para sua escolha (“em tal caso por tal motivo”) e pede para o cliente/colega confirmar uma decisão já tomada. Ou seja, você ofereceu uma proposta de solução e ainda deixou uma abertura ao diálogo (“Você tem alguma preferência?”).

Felizmente, a maior parte das pessoas com quem trabalho sempre está muito disposta a responder e colaborar, o que só tem a contribuir para a melhora da qualidade do texto. Sendo assim, sugiro que a gente tome doses cavalares contra preguicite aguda e faça um mínimo de pesquisa antes de sair tascando perguntas rasas para todo mundo.

Pergunte apenas quando você realmente sentir que precisa de uma segunda opinião, e faça perguntas de maneira inteligente. Assim, o cliente/colega vai notar seu esforço e provavelmente se sentirá muito mais disposto a te ajudar a descascar seu abacaxi. 🙂


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