Quem já procurou o TransMit?

  • 5

Quem já procurou o TransMit?

Depois de dois meses completos de TransMit “no ar”, recebemos e-mails praticamente todos os dias de pessoas interessadas em saber mais sobre o treinamento. Com base nas mais diversas experiências relatadas por essas (cerca de 100) pessoas, foi possível notar que, embora cada uma tenha suas peculiaridades, há determinados padrões.

Pensando nisso, surgiu a ideia de reunir essas informações em um post e pensar em alguns questionamentos: será que esses mesmos padrões se repetem em outros cursos? Como lidar com as necessidades de cada um desses grupos?

Bom, vamos entender um pouco melhor quem são os candidatos ao TransMit:

1- Tenho experiência, mas sinto que preciso melhorar
As pessoas desse perfil notam que, apesar da experiência de anos e de receberem trabalho frequentemente, é preciso melhorar. Essas pessoas percebem que a ausência de feedbacks por parte dos clientes é uma deficiência, uma carência que as faz se sentirem desorientadas, e por isso acabam tendo que buscar esses feedbacks por outros meios.

O interessante desse perfil é a constante sede de melhora. Mesmo que esses profissionais já estejam estabelecidos no mercado, para eles não basta fazer um trabalho medíocre e receber o dinheiro no final: é necessário investir no aprimoramento contínuo dos serviços prestados, o que traz a sensação de satisfação pessoal por fornecer um trabalho de boa qualidade.

2- Tenho experiência e formação em outra área, mas pouca ou nenhuma em tradução

As pessoas desse perfil se dividem em dois grupos: 1- Profissionais experientes e bem-sucedidos em outras áreas; 2- Profissionais que investiram em outra formação, mas, pelos mais diversos motivos, não se sentiram realizados.

As pessoas do primeiro grupo estão vivendo uma fase de desligamento da carreira anterior e buscam novos ares na tradução. A vida de freelancer lhes parece mais flexível, tranquila e gerenciável, e a nova rotina apetece mais do que trabalhar em um escritório fechado durante o horário comercial. Em geral, essas pessoas se sentem confortáveis para começar a trabalhar como tradutores por terem algum grau de convívio com a língua inglesa, mas também reconhecem a importância de se ajustar à realidade linguística da tradução.

Já as pessoas do segundo grupo tendem a ser mais frustradas, pois investiram em uma carreira que não rendeu os frutos desejados. Curiosamente, essas pessoas têm em comum uma dúvida: será que é válido mencionar essa outra carreira no currículo? Ou é melhor começar do zero? Costumo responder que todo conhecimento pode ser usado como um diferencial em tradução, principalmente no que tange ao domínio terminológico de uma área que nem todos os tradutores dominam. Ainda assim, em alguns casos a frustração é tanta que as pessoas preferem omitir a primeira experiência.

3- Não tenho experiência prática, mas tenho formação

As pessoas que se encaixam nesse perfil têm formação acadêmica (geralmente em tradução), fizeram cursos complementares e investiram em ferramentas e software/hardware necessários para começar a traduzir, mas não conseguem se inserir no mercado, ou começaram muito timidamente e recebem poucos trabalhos. Aliás, o interesse em obter uma certificação é muito maior nesse perfil do que nos outros.

Uma das marcas comportamentais desse grupo é a ansiedade. Essas pessoas já têm o conhecimento formal, mas estão ávidas para aplicá-lo o quanto antes a uma rotina prática de tradução. Consequentemente, a ansiedade gera desatenção no trato com os detalhes, como seguir uma instrução fácil e até mesmo ler um e-mail até o fim.

4- Não tenho formação nem experiência; não sei por onde começar

Esse quarto perfil consiste em pessoas que estão conhecendo agora o mundo da tradução. Elas conhecem alguém que traduz, ouviram falar sobre tradução, leram algum artigo relacionado ao assunto, mas ainda não sabem o que querem. É comum, por exemplo, que essas pessoas não saibam diferenciar as várias possibilidades de trabalho na área, como tradução técnica/editorial, interpretação, legendagem, dublagem etc.

Como o desconhecimento ainda é gritante nas pessoas desse perfil, até o momento nenhuma delas foi entrevistada para fazer o TransMit. Ainda assim, mesmo que não estejam aptas a começar, elas recebem um material com sugestões de livros, sites e blogs de profissionais renomados, vídeos, tutoriais e manuais das ferramentas de tradução, bem como outros recursos que possam apresentar um pouco melhor essa nova possibilidade de trabalho.

————————————————————————————————————–

Como já mencionado no início deste post, o TransMit está no ar há pouco tempo, e só poderemos confirmar essas tendências e perfis depois de termos mais corpus. Ainda assim, acredito que já chegou a hora de entender o público que nos procura e saber nos adaptar a cada uma dessas pessoas da melhor maneira possível. Portanto, se você é dono de algum curso, se já deu aulas ou se coordena algum empreendimento do tipo, sinta-se à vontade para deixar suas impressões aqui nos comentários. Quem sabe a gente não desenvolve melhor esse tema?


5 Comments

Roseli D. dos Santos

fevereiro 2, 2016at 6:19 pm

Olá, Mit.

Que belo trabalho esse sobre o levantamento dos interessados no TransMit, porque você acaba fazendo um perfil dos interessados em tradução em geral.

O campo da tradução é muito amplo, então as pessoas sentem necessidade de aprender mais sobre áreas diferentes para poder ter um campo de ação maior, especialmente quem trabalha com línguas com fluxo menor de trabalho ou é especializado em um setor com pouca movimentação ou movimentação não contínua. É a questão de pôr os ovos em mais de uma cesta, mas os ovos têm que ser de boa qualidade, então a procura por capacitação em áreas diferentes aumenta.
Acho que isso se encaixa no seu primeiro perfil, e é algo que precisa ser estimulado.

Sobre o segundo perfil, acho que acontece também um choque de realidade, ao ver que a tão sonhada segunda carreira (a de tradução), não é tão fácil assim, ao entrar no mercado demora um pouco para se estabelecer e ter trabalho contínuo. Sem falar que a parte burocrática e técnica são dois enormes monstros desconhecidos.

E isso vale para o seu terceiro perfil, os de formação acadêmica. Nada ou quase nada da vida prática de tradutor é trabalhado nas faculdades, então o conhecimento sobre teorias é mais vasto, mas enquanto não cair a ficha de que o conhecimento prático é tão importante quanto o teórico, esse perfil vai ser numeroso. Essa é a realidade que eu vejo entre os meus colegas de pós.

Achei intrigante você ter se restringido à língua inglesa no perfil dois.
Não duvido que só tenha havido procura de pessoas com conhecimentos de inglês, mas é incrível como o mercado, universidade, colegas e agências desconhecem o que é trabalhar com uma língua “minoritária” como o italiano, no meu caso específico.
Mas isso é outro assunto.
Espero ter ajudado.
Boa sorte com o TransMit!

    Mitsue Siqueira

    fevereiro 2, 2016at 6:28 pm

    Obrigada pela análise tão completa, Roseli! Eu sabia que esse assunto renderia boas discussões 🙂
    Um esclarecimento: me concentrei nos idiomas inglês>português porque (por enquanto) só trabalhamos com esse par, mas tivemos pessoas interessadas em espanhol, alemão e francês também. Do italiano, nenhuma 🙁

      Roseli D. dos Santos

      fevereiro 2, 2016at 6:43 pm

      Isso é um problema e uma solução, Mit. Acho que a questão dos outros idiomas passa também por sabermos que tudo é voltado para o inglês.

Wandrianne

março 24, 2016at 2:49 pm

Oi Mit, parabéns pelo projeto. Gostei muito do texto sobre os perfis de tradutores. Tem também aqueles profissionais que começaram com tradutores, gerenciará exclusiva por anos e agora por circunstâncias do mercado executa funções híbridas de gerenciamento e tradução. Bj

    Mitsue Siqueira

    março 24, 2016at 5:08 pm

    Obrigada, Wandri! Pois é, esses perfis são só uma “provinha” dos mil tipos de profissional que estão por aí no mercado.

Leave a Reply

Ad