A cultura da empatia

Se você pudesse fazer uma pergunta sincera para um revisor (e ele tivesse que responder), qual seria?

Fiz um teste. Lancei essa pergunta no Facebook há alguns dias e não deu outra: boa parte dos comentários teve um quê negativo, com pitadas de ironia e sarcasmo, e até mesmo tradutores falando abertamente das frustrações causadas pelo contato com seus revisores. Justamente como eu imaginava. Por que isso ainda acontece com tanta frequência? E o mais importante, o que fazer para que o problema deixe de ser tão recorrente?

Depois de muito pensar nessa questão, que já me incomoda há anos, cheguei a uma conclusão relativamente simples. Nossa formação acadêmica e profissional como revisores pode até nos preparar para dominar as regras da gramática e dos idiomas de trabalho, mas ainda há um longo caminho pela frente quando o assunto é inteligência emocional. Creio que revisar deve ser, acima de tudo, um exercício de empatia.

Um mundo de possibilidades se abre diante do revisor que se dispõe ao exercício de colocar-se no lugar da pessoa escrita diante de si.

O Aulete me disse que empatia é a “experiência pela qual uma pessoa se identifica com outra, tendendo a compreender o que ela pensa e a sentir o que ela sente (…)”, e não ouso discordar. Um mundo de possibilidades se abre diante do revisor que se dispõe ao exercício de colocar-se no lugar da pessoa que está escrita diante de si. A empatia é uma ferramenta poderosíssima porque nos permite tentar trilhar o caminho que o autor/tradutor trilhou, com o propósito não apenas de apontar os erros, mas de entender a causa e propor uma solução verdadeiramente eficaz. Porque, no fim das contas, precisamos de revisores que saibam ler textos e pessoas.

Aliás, desenvolver as habilidades emocionais e cognitivas é um caminho longo para os tradutores também, já que promover relações interpessoais saudáveis é benéfico para todos. Além de benéfica, a empatia cognitiva é essencial para melhorar nosso desempenho profissional. Andrea Viviana Taubman, tradutora e autora (e colega muito querida), comenta o assunto: “Poucas vezes paramos para pensar em quanta empatia deve haver no ofício do tradutor. Se olharmos com microscópio ou macroscópio, haverá profissão que dependa mais da empatia? Precisamos mergulhar na psique do autor do texto que traduziremos para bem exercer a tarefa. Se ele não estiver mais entre nós, precisaremos trabalhar quase ‘mediunicamente’ em busca de uma conexão com a mente daquele que deixou um legado em forma de palavras e que nos cabe transpor para outro idioma sem roubar-lhe a alma. Quanta responsabilidade!”. Quanto à revisão, Andrea questiona: “Após esse extenuante exercício de penetrar na mente de outro, o tradutor aguarda ansiosamente os comentários do revisor. Será um companheiro ou uma pedra no meio do caminho?”. Eis a questão. Como cabe aos revisores a delicada tarefa de corrigir falhas alheias, é preciso ainda mais tato.

No fim das contas, precisamos de revisores que saibam ler textos e pessoas.

Difícil? Sim. Impossível? Não. Assim como qualquer habilidade, a empatia pode ser exercitada. Um ótimo ponto de partida é o site Empathy Library, que reúne livros e filmes sobre o tema, além de promover grupos de estudo e encontros online. O site foi fundado pelo sociólogo e historiador Roman Krznaric, cujo livro O poder da empatia já foi traduzido para o português (leia um trecho). Com uma visão muito interessante, Krznaric contraria a boa e velha máxima do “Faça para os outros o que gostaria que eles fizessem para você”, pois isto supõe que seus próprios interesses coincidem com os deles. Com muita inteligência, Krznaric mostra a empatia como um elemento que pode gerar uma revolução das relações humanas.

Falando assim, a empatia parece um objetivo mais difícil de alcançar, mas não é. Você pode começar a praticá-la agora mesmo e diariamente, com pequenas reflexões. Procure medir o peso das suas palavras, pense no efeito que elas causarão em quem está lendo. Será que não caberia um sinônimo, um eufemismo? Lembre-se de que a linha entre ser assertivo e ser grosseiro é bem tênue. Somos profissionais das palavras, devemos saber lidar com elas.

Assim como qualquer habilidade, a empatia pode ser exercitada.

Em outra dessas perguntas que tenho publicado ultimamente, um colega tradutor disse que se sentiria mais confortável se o revisor perguntasse, e não apenas afirmasse de imediato que algo está errado. Pois bem, aventar possibilidades antes de bater o martelo é uma forma excelente de exercitar a empatia. O tradutor pode ter um ponto de vista diferente do seu e, por respeito a isso, talvez você deva ponderar. Eu sei, nem todo ambiente de trabalho nos proporciona abertura para uma comunicação livre entre as partes. É exatamente por isso que você não deve desperdiçar as (poucas) chances de fazer bom proveito do diálogo.

Creia-me, o exercício inicial de escolher as palavras certas já vai ajudar a ter uma noção mais abrangente de toda a parte empática do ofício. Ao longo dos próximos meses, pretendemos trabalhar o tema em outros posts como este para sugerir novas formas de pensar e agir. Aos poucos, se bem praticada, a empatia pode aumentar a paciência e a tolerância, ainda que mantê-las pareça impossível em determinadas situações. De palavra em palavra, de contato em contato, ficamos mais preparados para lidar com essa torrente de emoções.

Por fim, Andrea reflete sobre a participação do revisor em um projeto: “Seja qual for a resposta, sentir com o outro é o caminho (…). #culturadaempatia é frequente em minhas postagens e permanente no meu cotidiano. Não vejo outra forma de seguirmos adiante em tempos de recursos escassos – naturais e materiais – se não implantarmos urgentemente essa semente em cada canto deste mundinho, tanto na versão real quanto na virtual, nos gestos e nos textos. Parafraseando Caetano, que nossas línguas sejam cada vez mais a nossa frátria”.

Como primeiro exercício de empatia, você pode publicar nos comentários deste post uma situação em que a atitude empática de um tradutor ou revisor foi essencial para o sucesso de um projeto. Além disso, promova a cultura da empatia usando as hashtags #TraduçãocomEmpatia e #RevisãocomEmpatia nas suas publicações sobre o tema. Marque a página do Projeto TransMit para que possamos contribuir com nossa opinião e trocar ainda mais ideias sobre o assunto.



Grupo de estudos com feedback entre pares

Este grupo de estudos é exclusivo para tradutores que já fizeram o TransMit (mas pode ser estendido a todos em breve) e tem foco em traduções de inglês para português. Criado pela Monica Lange, a ideia inicial era reunir um grupo de estudos para as provas de certificação de algumas associações profissionais, como a ATA e a Abrates. Depois, a ideia tomou uma forma mais ampla, com objetivos que vão além do preparo para as provas: a meta é o crescimento profissional, a troca de experiências, o aprendizado em grupo.

Nossa profissão nos mantém isolados uns dos outros, trabalhando em casa e sozinhos. Muitas vezes não recebemos um feedback de nossos clientes. Em muitos casos, a única ferramenta de avaliação que temos é a constância (ou ausência) de trabalho. Assim, acabamos nos esquecendo de nossos pontos fracos e fortes. A tecnologia nos permite trabalhar de casa, mas esquecemos que ela também nos dá a oportunidade de estarmos mais próximos, mesmo que virtualmente. A troca de experiências “ao vivo e a cores” é uma oportunidade excelente para o crescimento profissional e pessoal.

A proposta é o estudo em grupo com feedback entre pares da seguinte forma:

Semana 1: tradução de um texto geral, sem área específica, de 200 a 300 palavras. Se houver interesse, mais tarde podemos criar grupos paralelos para assuntos específicos (médico, jurídico, etc.).

Semana 2: revisão dos textos, sendo que cada tradutor revisará apenas um texto. O controle de revisão será feito por meio de uma tabela, de forma que todos terão a oportunidade de revisar o texto dos colegas.

Semana 3: reunião virtual em plataforma a ser definida para a discussão dos trabalhos e escolha de novo texto. O texto a ser traduzido poderá ser escolhido pelos participantes do grupo ou pelo moderador.

Frequência: cada 3 semanas

Número de participantes: no máximo 6

Cronograma: início em janeiro

Horários: uma vez fechado o grupo, discutiremos os horários mais convenientes para a maioria dos participantes.

Revisão: a revisão deve ser feita com a Macro de Revisão do TransMit + o recurso de alterações controladas do Word.

Plataforma: Google Docs, Skype, Zoom, Hangouts (a ser definido). Os textos para tradução e revisão ficarão disponíveis no Google Docs para que todos tenham acesso.

Para participar do grupo de estudos, entre em contato com a Monica Lange e acesse a planilha de controle de temas.



Tradutor e CAT Tool: uma relação de responsabilidade e equilíbrio

As ferramentas de localização podem ser incríveis, apesar de seus pesares e bugs. Elas facilitam o trabalho, ajudam a manter a consistência da terminologia, melhoram a produtividade e, em última análise, ajudam você a fidelizar mais clientes. Por outro lado, tem algo que elas nunca vão fazer por você: assumir a responsabilidade pela qualidade final do seu texto.

Isso mesmo. A ferramenta ajuda, mas o responsável pela qualidade do trabalho é sempre o tradutor e a importância que ele dedica à tradução. Muitos dos melhores tradutores que já conheci ou com quem trabalhei não sabiam usar ferramentas porque optaram por trabalhar com foco única e exclusivamente no texto, e harmonizar a capacidade de tradução e o uso de tecnologias nem sempre é um exercício simples.

Isso significa que os melhores tradutores são aqueles que não usam as ferramentas de tradução? De jeito nenhum. Muitos gerentes e agências deixam de trabalhar com um tradutor por ele não ter a ferramenta, e infelizmente não se pode fugir desse requisito em certos projetos. Há casos em que uma determinada CAT Tool de uma versão específica precisa ser usada, então saber usar bem uma ferramenta é muito importante (praticamente essencial, dependendo da sua área de atuação).

Aliás, um movimento contrário também acontece: convivi com bons localizers que estavam tão preocupados em aumentar a produtividade e aprender a usar cada recurso da ferramenta que acabavam negligenciando o texto. Quando o aproveitamento da memória e os aspectos puramente mecânicos do trabalho falam mais alto do que a importância que se dá ao texto, a qualidade do arquivo final acaba sofrendo as consequências.

Nesses casos, equilíbrio é a palavra de ordem. O que não pode acontecer é o tradutor dedicar toda a atenção à ferramenta, confiando cegamente em seus recursos funcionais. Por melhor que seja a sua CAT Tool, você não pode achar que o F7 vai pegar todos os seus erros ortográficos, que a TM vai sempre propor as melhores traduções, que o glossário vai garantir a consistência, que os atalhos vão fazer a inclusão correta das tags no texto… É claro que tudo isso ajuda (e muito), mas não acredite que é o bastante para fazer um ótimo trabalho. Uma ferramenta só vai trabalhar bem se você souber assumir o controle dela.

Aprenda a usar as CAT Tools. Elas vão ajudar com a produtividade e, se devidamente configuradas, vão dar uma mãozinha com alguns problemas mais comuns, mas saiba que a qualidade final do trabalho é inteiramente de responsabilidade sua. Dedique um tempo ao texto, faça as verificações de praxe (a Mitsue já falou sobre isso), estude mais e seja o melhor tradutor que você pode ser. Por mais que estejamos vivendo um momento tão intenso de avanço das tecnologias de tradução, nenhuma CAT Tool jamais vai isentar o tradutor da responsabilidade pelo próprio aprimoramento pessoal.

Publicado por: Bruno Fontes



Compactação de arquivos: 7-Zip

Como todo engenheiro de localização que se preze, se tem algo que eu sempre gosto de fazer é conhecer ferramentas, aplicativos e recursos que facilitam meu dia a dia e agilizam o trabalho. Já até escrevi um post aqui sobre o ClipX, um gerenciador de área de transferência, mas o assunto de hoje é compactação de arquivos.

O Windows 10 tem seu próprio compactador, que funciona com arquivos .zip, o que é suficiente para a maioria das pessoas. No entanto, recebi alguns feedbacks dos tradutores do TransMit afirmando que o compactador do Windows não inclui pastas vazias no zip, e isso acaba sendo frustrante para quem precisa incluir essas pastas o tempo todo.

Se é esse o seu caso, recomendo uma ferramenta substituta: o 7-Zip. Além de arquivos .zip, o 7-Zip compacta e descompacta vários outros formatos, inclusive arquivos .rar. Para baixá-lo, basta entrar no site e escolher a versão adequada de acordo com o seu Windows: 32-bit ou 64-bit. Se você não tem certeza ou se não sabe o que isso significa, baixe a versão 32-bit, pois ela vai funcionar.

Depois de instalar o 7-Zip, recomendo as configurações a seguir para facilitar o uso:

  1. Acesse Tools -> Options;
  2. Selecione a aba 7-zip;
  3. Deixe marcadas apenas estas opções:
    – Integrate 7-zip to shell context menu
    – Integrate 7-zip to shell context menu (32-bit)
    – Cascaded context menu
    – Eliminate duplication of root folder
    – Extract Here
    – Extract to <Folder>
    – Add to <Archive> .zip
  4. Clique em OK e feche o programa.

Feito isso, você só vai ter que clicar com o botão direito nos arquivos que quer compactar ou descompactar e escolher a opção desejada no submenu 7-Zip. O processo todo é muito simples, mas não deixe de registrar suas perguntas aqui nos comentários, caso surja alguma dúvida. Ah, e aproveite o espaço para sugerir outras ferramentas parecidas também 😉

 

Autor: Bruno Fontes



Meus procedimentos básicos de qualidade

Desde que comecei a trabalhar com revisão, convivo com tradutores muito experientes e com aqueles que estão começando agora, e nos dois grupos percebi algo em comum: muita gente boa erra bobeira por pura falta de atenção. A questão nem é cometer erros por distração (isso todo mundo comete), pois quem traduz sabe que é muito fácil escorregar nos detalhes; o grande problema está em não pensarmos em procedimentos que ajudem a resolver essa situação.

Esses procedimentos são tarefas menores, etapas complementares que deveriam ser sempre realizadas no processo de TEP (Translation > Editing > Proofing), e a elas eu costumo chamar de verificações finais. Por exemplo, quando recebo um arquivo para revisão, a primeira coisa que eu faço é dar conta de todas as verificações finais do texto. Por mais que seja estranha essa ideia de começar pelo final, a intenção é avaliar se o tradutor fez o que se esperava dele no fim da tradução. Ou seja, nesse primeiro contato com o texto, eu faço o QA da CAT Tool, uso o Xbench, colo a tradução em um arquivo vazio do Word (para verificação gramatical e ortográfica) e, por fim, faço a correção ortográfica de volta na CAT Tool.

Eu sei que escrevendo assim parece muito, mas na maioria dos casos não é. É claro que isso pode ser bem trabalhoso, dependendo da qualidade do texto recebido e da quantidade de palavras e arquivos do projeto, mas você não faz ideia de quantos erros eu consigo identificar só com esses processos praticamente mecânicos. Então, mesmo que o projeto seja grande, vale muito a pena dedicar um tempo a essas verificações.

Para entender melhor o propósito de cada uma delas, organizei um resumo sobre a importância desses procedimentos no meu cotidiano. Aliás, não uso essas diretrizes apenas quando eu tenho que revisar, mas também sigo sempre que termino de traduzir um projeto. Vamos a elas:

Etapa 1: QA e corretor da CAT Tool

A maioria das CAT Tools conta com um recurso de QA, e não, ele não está lá apenas para enfeitar a interface do usuário. É claro que a eficácia do QA das ferramentas varia, até porque umas têm verificações mais detalhadas do que as outras, mas todas elas ajudam a pescar os problemas que nossos olhos não viram.

Resolvidos todos os problemas que o QA identificou (geralmente erros de tag, espaçamento, numeração etc.), parto para primeira correção ortográfica. Em praticamente tudo que eu uso, o atalho do corretor é o F7. Depois de usá-lo e fazer mais essa rodada de correções no texto, saio do ambiente da CAT Tool e parto para o Xbench.

Etapa 2: QA do Xbench (e corretor)

Senhoras e senhores, é com muita alegria que apresento o Xbench a quem ainda não conhece. Diferentemente das CAT Tools, que são usadas para ajudar a traduzir um arquivo, o Xbench é usado apenas depois da tradução para verificar o arquivo bilíngue exportado. Essa lindeza tem uma versão gratuita, a 2.9 (disponível para download aqui), e já me ajudou a evitar muita saia justa. O Xbench faz uma série de verificações de qualidade, como possíveis problemas de terminologia, espaçamento, numeração, adição/omissão de tags, formatação… Enfim, todos esses detalhes pontuais que a gente costuma ignorar enquanto se concentra em outros aspectos da tradução.

A pergunta que você deve estar se fazendo é: “Mas se eu já fiz o QA na minha CAT Tool, por que preciso usar essa ferramenta?”. Minha resposta (um conselho, na verdade) é: “Porque você precisa ser neurótico”. Pode acreditar, a neurose de não confiar apenas no QA de uma ferramenta já me salvou de alguns resultados negativos que eu sei que cairiam no meu colo, se não fosse essa camada extra de segurança. Além do mais, dependendo do tamanho do arquivo (e da qualidade do texto), rodar o Xbench não vai tomar dois minutos da sua vida.

Muita gente não sabe, mas a versão paga do Xbench (a 3.0) trabalha também com correção ortográfica. Em outras palavras, além das verificações que a versão gratuita oferece, a paga também pode ajudar com a corrigir os erros de digitação do seu texto. Acesse este link para aprender a configurar o corretor no Xbench.

Etapa 3: olhômetro e corretor do Word

Passada a vassoura geral das etapas que você já viu, é hora de copiar somente a tradução e colar no Word para mais uma verificação, uma espécie de proofing, só que muito mais rapidinho. Ao contrário das etapas anteriores, que corrigem erros pontuais, a verificação no Word exige um pouco mais de atenção visual, principalmente porque os erros que ainda sobreviverem vão aparecer com um destaque vermelho (erros de ortografia) ou verde/azul (erros de gramática).

Mais uma vez, usar o Word para quê? Particularmente, acho essencial passar os olhos pelo arquivo traduzido fora da interface da ferramenta, de preferência com o zoom em quase 200%. Assim, eu permito que a minha cabeça descanse um pouco do visual da CAT Tool, o que me deixa mais atenta, já que estou trabalhando em um ambiente totalmente diferente, ainda que o texto seja o mesmo.

Se pudermos fazer isso no formato final do arquivo (PDF, PPT etc.), melhor ainda. Você vai se surpreender com a quantidade de alterações e melhorias que fazemos nesta etapa. Há quem goste de imprimir os textos e revisar no papel, mas nem sempre isso vai ser possível (imagine ter que revisar 2.000 páginas no papel?). No meu caso essa estratégia não funciona, mas acho que vale mencionar para contemplar o pessoal que consegue trabalhar textos pequenos com essa prática.

Finalizada a fase do olhômetro, é hora de passar o F7 no Word e seguir corrigindo o que for necessário, mas lembre-se: todas as correções que surgirem durante esta e as outras etapas devem ser feitas sempre no arquivo bilíngue da ferramenta! Afinal de contas, na maioria dos casos é o arquivo bilíngue que o cliente pede de você.

Etapa 4: corretor da CAT Tool

Por favor, não pense que estou maluca, mas você leu isso mesmo. Depois de ter percorrido todo esse caminho, minha última verificação de qualidade é voltar ao ponto de partida e passar o corretor ortográfico na CAT Tool novamente. Prefiro SEMPRE deixar a correção ortográfica para o final, e a explicação é muito simples: enquanto a gente foi corrigindo vários pedaços do texto durante as outras verificações, quem garante que não inserimos novos erros? Então, para não deixar aquele problema horrendo de digitação escapar depois de tanto esforço, eu passo o F7 novamente na CAT Tool.

Pronto, agora acabou, juro. Quer dizer, acabaram as etapas básicas do pós-tradução, porque tudo isso consiste só em uma varridinha na casa de quem vai revisar o texto mais a fundo. E claro, essas são as etapas que eu costumo usar, a ordem na qual eu me sinto mais confortável para trabalhar, mas pode ser que você prefira seguir procedimentos diferentes de outra maneira.

Seja como for, o grande objetivo deste post é fazer você pensar criticamente na qualidade do seu próprio trabalho. Será que você está fazendo o máximo possível para não vacilar? Caso não tenha o hábito de fazer verificações de qualidade, sinta-se livre para usar esse conteúdo como ponto de partida. Se você já segue algum procedimento diferente, compartilhe comigo aqui no campo de comentários e vamos ser neuróticos juntos.

P.S.: não se iluda. Por mais que a gente siga tudo isso bonitinho, volta e meia Titivillus aparece pra dar um “oi”…


Promova a cultura da empatia!

#TraduçãocomEmpatia #RevisãocomEmpatia

#TraduçãocomEmpatia #RevisãocomEmpatia