Category Archives: TransMit

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Dicas para uma boa comunicação por email

Comunicação é tudo, principalmente na nossa área, já que na maioria das vezes as idas e vindas da tradução acontecem online. Então, pensando em evitar problemas de comunicação por e-mail, sugerimos que você siga algumas diretrizes para termos uma boa experiência no TransMit. Vamos a elas:

1- Desconfie se os feedbacks demorarem mais de três dias para chegar: nosso tempo de resposta costuma ser bem rápido, principalmente na primeira semana, e em geral não passamos de dois dias para enviar os textos revisados. Quando nossas revisoras percebem que pode haver algum atraso, elas sempre nos avisam, então você certamente será comunicado. Se ficarmos quietinhos por muito tempo, desconfie e entre em contato conosco por outros meios (Skype, Facebook ou WhatsApp).

2- Verifique sua caixa de spam: pode acontecer de nossas mensagens terem parado lá. Se isso acontecer, você precisa marcar nosso endereço como remetente confiável. Clique nos links para saber como fazer isso pelo Gmail e pelo Outlook. Se você trabalha com outro provedor de e-mail, entre em contato conosco.

3- Confirmem o recebimento de todas as mensagens: às vezes um simples “Ok” ou “Recebido” já basta para nos deixar cientes de que a mensagem chegou a você sem problemas. Se quiser, você também pode confirmar usando os outros meios de comunicação mencionados no item 1, mas o ideal é o e-mail.

4- Os outros meios de comunicação são apenas um recurso complementar: não esqueça de que a comunicação principal deve ser feita sempre por e-mail. Não use os outros meios para enviar suas traduções ou transferir arquivos importantes, por exemplo. Como o e-mail é a nossa forma oficial de comunicação, tudo o que acontece fora dele pode ser considerado off the record. Use apenas para confirmar o recebimento ou o envio de mensagens importantes.

5- Copie a si mesmo nas mensagens: se desconfiar de que suas mensagens não estão chegando a um determinado destinatário, inclua outro e-mail seu na cópia e verifique o recebimento. Assim, será possível identificar onde está a raiz do problema.

Em caso de outras dúvidas, não deixe de entrar em contato com o Bruno Fontes ([email protected]).


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Parabéns pra você!

Ontem foi meu aniversário, e eu amo a data desde que me entendo por gente. Todos os anos, alguns dias antes do 27 de novembro, minha mãe surge com uma nostalgia engraçada e fica relembrando o que sentia no momento em que eu estava prestes a nascer: “Essa hora eu já estava indo para o hospital…” e por aí vai. De certa forma, é como se ela conseguisse reviver a experiência.

Recentemente, descobri que comigo não foi diferente. Não tenho filhos, mas é que um ano atrás comecei a escrever uma história que não sabia que fim teria, e esses dias me peguei revivendo aqueles momentos. No caminho para o trabalho, durante a madrugada, às vezes até no banho, eu escrevia. Um pedacinho aqui, uma frase ali, aquelas palavras que eu tinha que anotar para não esquecer… No fim das contas, tudo foi se encaixando. Depois disso, mostrei a história para seis experts e amigos da mais extrema confiança buscando saber o que eles acharam, e a maioria das respostas se resumiu a um convicto: “Vai com tudo!”. Eu fui.

Assim, nasceu o TransMit. A ideia abrupta, com estrutura montada em menos de duas semanas, tomou uma forma que eu jamais imaginaria. Com a ajuda fundamental de dois dos melhores amigos que alguém pode ter, o TransMit atendeu a cerca de 40 tradutores em seu primeiro ano de existência. São pessoas de quatro regiões do Brasil e até mesmo de outros países. Sim, nosso projeto chegou a quatro continentes.

Ah, e o que falar das pessoas? Todas disseram que aprenderam muito conosco, mas elas não fazem ideia do quanto aprendemos com elas. Sem exceção, lidar com cada uma delas fez de mim uma pessoa melhor e mais preparada. Tranquilas, ansiosas, adoráveis, serenas, curiosas, discretas, neuróticas, inteligentes, inquietas, reclusas, não importa. No fim, muitas se tornaram parceiras e amigas, cada uma a seu modo.

Hoje, posso dizer com um orgulho muito forte que o TransMit cumpriu seu dever e ainda foi muito além do esperado. Quem está comigo desde o início sabe que meus principais objetivos sempre foram aprender, me divertir e me tornar uma pessoa mais completa. Conhecemos pessoas, ampliamos horizontes, revimos conceitos, fizemos parcerias e até patrocinamos um evento, vê se pode? É claro que pode.

Um ano depois daquele ponto de partida tão frágil e incerto, só me resta continuar trabalhando para que o próximo ano renda frutos tão maravilhosos quanto os que colhi em 2016. Parabéns para mim, parabéns para nós e feliz nova etapa!


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Meus procedimentos básicos de qualidade

Desde que comecei a trabalhar com revisão, convivo com tradutores muito experientes e com aqueles que estão começando agora, e nos dois grupos percebi algo em comum: muita gente boa erra bobeira por pura falta de atenção. A questão nem é cometer erros por distração (isso todo mundo comete), pois quem traduz sabe que é muito fácil escorregar nos detalhes; o grande problema está em não pensarmos em procedimentos que ajudem a resolver essa situação.

Esses procedimentos são tarefas menores, etapas complementares que deveriam ser sempre realizadas no processo de TEP (Translation > Editing > Proofing), e a elas eu costumo chamar de verificações finais. Por exemplo, quando recebo um arquivo para revisão, a primeira coisa que eu faço é dar conta de todas as verificações finais do texto. Por mais que seja estranha essa ideia de começar pelo final, a intenção é avaliar se o tradutor fez o que se esperava dele no fim da tradução. Ou seja, nesse primeiro contato com o texto, eu faço o QA da CAT Tool, uso o Xbench, colo a tradução em um arquivo vazio do Word (para verificação gramatical e ortográfica) e, por fim, faço a correção ortográfica de volta na CAT Tool.

Eu sei que escrevendo assim parece muito, mas na maioria dos casos não é. É claro que isso pode ser bem trabalhoso, dependendo da qualidade do texto recebido e da quantidade de palavras e arquivos do projeto, mas você não faz ideia de quantos erros eu consigo identificar só com esses processos praticamente mecânicos. Então, mesmo que o projeto seja grande, vale muito a pena dedicar um tempo a essas verificações.

Para entender melhor o propósito de cada uma delas, organizei um resumo sobre a importância desses procedimentos no meu cotidiano. Aliás, não uso essas diretrizes apenas quando eu tenho que revisar, mas também sigo sempre que termino de traduzir um projeto. Vamos a elas:

Etapa 1: QA e corretor da CAT Tool

A maioria das CAT Tools conta com um recurso de QA, e não, ele não está lá apenas para enfeitar a interface do usuário. É claro que a eficácia do QA das ferramentas varia, até porque umas têm verificações mais detalhadas do que as outras, mas todas elas ajudam a pescar os problemas que nossos olhos não viram.

Resolvidos todos os problemas que o QA identificou (geralmente erros de tag, espaçamento, numeração etc.), parto para primeira correção ortográfica. Em praticamente tudo que eu uso, o atalho do corretor é o F7. Depois de usá-lo e fazer mais essa rodada de correções no texto, saio do ambiente da CAT Tool e parto para o Xbench.

Etapa 2: QA do Xbench (e corretor)

Senhoras e senhores, é com muita alegria que apresento o Xbench a quem ainda não conhece. Diferentemente das CAT Tools, que são usadas para ajudar a traduzir um arquivo, o Xbench é usado apenas depois da tradução para verificar o arquivo bilíngue exportado. Essa lindeza tem uma versão gratuita, a 2.9 (disponível para download aqui), e já me ajudou a evitar muita saia justa. O Xbench faz uma série de verificações de qualidade, como possíveis problemas de terminologia, espaçamento, numeração, adição/omissão de tags, formatação… Enfim, todos esses detalhes pontuais que a gente costuma ignorar enquanto se concentra em outros aspectos da tradução.

A pergunta que você deve estar se fazendo é: “Mas se eu já fiz o QA na minha CAT Tool, por que preciso usar essa ferramenta?”. Minha resposta (um conselho, na verdade) é: “Porque você precisa ser neurótico”. Pode acreditar, a neurose de não confiar apenas no QA de uma ferramenta já me salvou de alguns resultados negativos que eu sei que cairiam no meu colo, se não fosse essa camada extra de segurança. Além do mais, dependendo do tamanho do arquivo (e da qualidade do texto), rodar o Xbench não vai tomar dois minutos da sua vida.

Muita gente não sabe, mas a versão paga do Xbench (a 3.0) trabalha também com correção ortográfica. Em outras palavras, além das verificações que a versão gratuita oferece, a paga também pode ajudar com a corrigir os erros de digitação do seu texto. Acesse este link para aprender a configurar o corretor no Xbench.

Etapa 3: olhômetro e corretor do Word

Passada a vassoura geral das etapas que você já viu, é hora de copiar somente a tradução e colar no Word para mais uma verificação, uma espécie de proofing, só que muito mais rapidinho. Ao contrário das etapas anteriores, que corrigem erros pontuais, a verificação no Word exige um pouco mais de atenção visual, principalmente porque os erros que ainda sobreviverem vão aparecer com um destaque vermelho (erros de ortografia) ou verde/azul (erros de gramática).

Mais uma vez, usar o Word para quê? Particularmente, acho essencial passar os olhos pelo arquivo traduzido fora da interface da ferramenta, de preferência com o zoom em quase 200%. Assim, eu permito que a minha cabeça descanse um pouco do visual da CAT Tool, o que me deixa mais atenta, já que estou trabalhando em um ambiente totalmente diferente, ainda que o texto seja o mesmo.

Se pudermos fazer isso no formato final do arquivo (PDF, PPT etc.), melhor ainda. Você vai se surpreender com a quantidade de alterações e melhorias que fazemos nesta etapa. Há quem goste de imprimir os textos e revisar no papel, mas nem sempre isso vai ser possível (imagine ter que revisar 2.000 páginas no papel?). No meu caso essa estratégia não funciona, mas acho que vale mencionar para contemplar o pessoal que consegue trabalhar textos pequenos com essa prática.

Finalizada a fase do olhômetro, é hora de passar o F7 no Word e seguir corrigindo o que for necessário, mas lembre-se: todas as correções que surgirem durante esta e as outras etapas devem ser feitas sempre no arquivo bilíngue da ferramenta! Afinal de contas, na maioria dos casos é o arquivo bilíngue que o cliente pede de você.

Etapa 4: corretor da CAT Tool

Por favor, não pense que estou maluca, mas você leu isso mesmo. Depois de ter percorrido todo esse caminho, minha última verificação de qualidade é voltar ao ponto de partida e passar o corretor ortográfico na CAT Tool novamente. Prefiro SEMPRE deixar a correção ortográfica para o final, e a explicação é muito simples: enquanto a gente foi corrigindo vários pedaços do texto durante as outras verificações, quem garante que não inserimos novos erros? Então, para não deixar aquele problema horrendo de digitação escapar depois de tanto esforço, eu passo o F7 novamente na CAT Tool.

Pronto, agora acabou, juro. Quer dizer, acabaram as etapas básicas do pós-tradução, porque tudo isso consiste só em uma varridinha na casa de quem vai revisar o texto mais a fundo. E claro, essas são as etapas que eu costumo usar, a ordem na qual eu me sinto mais confortável para trabalhar, mas pode ser que você prefira seguir procedimentos diferentes de outra maneira.

Seja como for, o grande objetivo deste post é fazer você pensar criticamente na qualidade do seu próprio trabalho. Será que você está fazendo o máximo possível para não vacilar? Caso não tenha o hábito de fazer verificações de qualidade, sinta-se livre para usar esse conteúdo como ponto de partida. Se você já segue algum procedimento diferente, compartilhe comigo aqui no campo de comentários e vamos ser neuróticos juntos.

P.S.: não se iluda. Por mais que a gente siga tudo isso bonitinho, volta e meia Titivillus aparece pra dar um “oi”…


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WWC (Weighted Word Count)

[AVISO: o post a seguir pode ser extremamente perturbador para pessoas avessas a números.]

Lembra daquele seu professor que dizia “A matemática é muito importante para a vida” quando você fechava a cara para os cálculos dos livros dele? Pois este post é a prova de que, para a sua infelicidade, ele estava certo. Não, não se trata de mais uma sigla inovadora para designar banheiro, o WWC (Weighted Word Count) é uma soma de todos os pesos e percentuais de cada palavra de acordo com o aproveitamento da memória de tradução do projeto. Hã? Calma, vamos explicar  melhor essa definição.

A tarifa do mercado de localização geralmente é calculada por palavra. Isto é, se um arquivo tem 1000 palavras, ele vai custar 1000 vezes o valor cobrado por palavra e vai levar cerca de 4 horas para ser traduzido (considerando a média de mercado de 2800 palavras a cada 8 horas de trabalho). Porém, e se houver aproveitamento de memória na ferramenta? Como calcular esse valor e estimar o tempo de trabalho?
 
Nesse caso, obviamente cobrar o valor inteiro da palavra seria injusto. Afinal, se 500 daquelas 1000 palavras tiverem um aproveitamento de memória muito grande (isto é, se já estiverem praticamente traduzidas na TM), o seu trabalho se restringirá a apenas ler essas 500 palavras e/ou alterar um ou dois termos em cada frase. Ou seja, você vai gastar menos esforço e levar muito menos tempo para traduzir essas frases do que levaria se tivesse que perder tempo digitando cada uma delas “do zero”. No fim das contas, é justo o cliente não querer pagar o mesmo valor só para você ajustar algo que já estava traduzido na memória.

Imagino que você deva estar se perguntando algo semelhante a “Mas como assim o cliente não quer pagar por uma tradução?”  Pense comigo: se para traduzir uma palavra 100% match você só precisa, por exemplo, de 25% do esforço/tempo de uma palavra No match (pois você não traduz um 100% do zero), cada 4 palavras de 100% match vão corresponder ao que seria uma palavra cheia (25% de 4 palavras = 100% de 1 palavra).

1 palavra No Match = 100% do valor/esforço de 1 palavra, que é 1 palavra inteira

1 palavra 100% Match = 25% do valor/esforço de 1 palavra, que seria o equivalente a 0,25 palavras

4 palavras 100% Match = 4 palavras valendo 0,25 do valor/esforço cada, que daria 1 palavra (4 x 0,25 = 1)

 

[AVISO: nós avisamos.]

Antes de entender esse cálculo, você precisa saber que esses tais aproveitamentos de memória são classificados por porcentagens. Então, se uma frase do seu arquivo for exatamente igual à frase que está na TM, ela será 100% igual, o que chamamos de 100% match. À medida que a sua frase vai se diferenciando da que está na memória, seja por uma letra ou palavra, essa porcentagem se reduz, podendo chegar a até 0% match, que chamamos comumente de No match (já que não há correspondência para ela na memória) ou de palavra cheia (já que você recebe o valor inteiro da palavra). Resumindo: enquanto o segmento 100% match já está praticamente pronto, o segmento No match exige uma tradução que parta do zero.

Para contornar esse cálculo confuso, surge na equação uma variável a que chamamos de peso da palavra. Uma palavra cheia (ou melhor, uma palavra que ainda não foi traduzida nem está salva na memória de tradução) sempre vai custar o valor integral. Por exemplo, se o valor da sua palavra é de R$ 0,10, a palavra cheia será integralmente cobrada, e você também deve considerá-la integralmente no tempo estimado da tradução. Entretanto, uma palavra que tenha 100% de aproveitamento na memória costuma ter um peso de apenas 25% do valor. Ou melhor, você receberá somente 25% daqueles R$ 0,10 para adaptá-la, e teoricamente essa adaptação leva muito menos tempo do que uma tradução integral. Afinal de contas, ela já estava salva na sua memória.

Acontece que esse cálculo não para nos 100%; à medida que a sua frase se distancia da que está na memória (100%, 95-99% etc.), você vai tendo mais trabalho para traduzir. Então o seu esforço vai ser maior e, consequentemente, o valor que você vai receber dessa palavra também será maior. É claro que cada empresa ou cliente pode lidar de maneiras diferentes com esses valores, pesos e categorias, mas os métodos costumam ser bem parecidos. Em suma, o que você precisa saber é: o indicativo de quantas palavras cheias (No match) que você precisa traduzir + o peso de cada uma das palavras (e suas devidas porcentagens) já salvas na memória de tradução é o que chamamos de WWC.

Se você é formado em Letras e alérgico a números (como a Mitsue), parabéns por ler até aqui! Sabemos que entender esse monte de números pode parecer confuso, mas esses valores ficam naturais com o tempo e a prática. Mesmo assim, caso ainda tenha dúvidas e enquanto não surgir a oportunidade de aplicar toda essa teoria, não hesite em deixar sua pergunta nos comentários abaixo. Ah, e pense com carinho naquele professor de matemática, pois ele acertou em cheio.

 

Bruno F. Fontes.

 


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Jogo dos 7 erros

Na semana passada, postei na página do TransMit no Facebook um infográfico simples sobre os tipos de erro mais frequentes desses primeiros quatro meses de atividade. Como prometi um detalhamento desses erros em forma de texto (e como promessa é dívida), aqui estão eles e algumas sugestões de medida corretiva. Posso apostar que você já se deparou com pelo menos um desses monstros em algum momento da sua vida profissional. Vamos a eles?

Problemas textuais

Português
Os erros básicos de português continuam sendo os grandes vilões dos textos. Sim, básicos mesmo, como problemas de ortografia e escorregadas dispensáveis de concordância. O chato desse tipo de problema é que ele expõe demais a fragilidade e a falta de cuidado com o texto, já que não é necessário alto grau de conhecimento linguístico nem formação acadêmica em Letras ou afins para identificá-lo. Em suma, qualquer leitor minimamente atento perceberá a presença desagradável daquele erro gritante e inconveniente no texto, e a credibilidade do seu trabalho de tradução e revisão pode ser muito prejudicada por isso.

Por outro lado, a parte “boa” desses erros é que eles são relativamente fáceis de corrigir: basta usar o corretor ortográfico e gramatical (F7) sempre, em todo e qualquer material escrito que você enviar ao cliente. Esse procedimento não garante 100% de qualidade, pois pode acontecer de o corretor não identificar um erro ou outro, mas certamente ele fará uma boa limpa na tradução. Aliás, “material escrito” não envolve somente o arquivo a ser traduzido, mas também suas mensagens de e-mail e qualquer outro texto que você venha a escrever para o cliente. Além do mais, uma lidinha (mesmo que rápida) na sua própria tradução também fará milagres por você. Seja como for, tenha em mente que um bom tradutor não pode mais se deixar fragilizar por erros tão básicos de português.

Se você tiver dúvidas sobre como configurar a correção ortográfica na sua ferramenta, a Ccaps preparou uma compilação bem interessante de links que podem ajudar. Acesse esse conteúdo aqui.

Inglês
No inglês, o maior problema tem sido a decodificação dos sintagmas. Por mais simples que pareça, a boa e velha inversão das estruturas oracionais ainda é desafiadora em segmentos mais complexos, com três ou mais sintagmas. Para ilustrar, um exemplo: em um termo simples, como removal cost, respeitamos a inversão de ordem e traduzimos corretamente como “custo de remoção”. Porém, no contexto de uma frase mais longa, muitos tradutores ainda se confundem e acabam empregando a forma inadequada “remoção de custo”. Além disso, no processo do ir e vir de inglês para português, naturalmente nos distraímos e acabamos omitindo e adicionando palavras, o que acontece ainda mais vezes com quem usa e abusa do Ctrl+C / Ctrl+X / Ctrl+V.

A medida corretiva para esses dois problemas é o exercício constante do cotejo de um texto traduzido. Ou seja, é necessário dedicar um bom tempo, além de esforço, para comparar cada frase traduzida com sua correspondente no texto original e ver se houve perda ou inversão de alguma parte importante da estrutura (palavras omitidas, traduções que não correspondem ao termo em inglês etc.). Esse exercício é naturalmente lento e requer muito esforço no início, como toda prática, mas aos poucos você se acostumará a conviver com esse procedimento de qualidade na sua rotina de trabalho.

Vale mencionar que nem todos os prazos vão permitir um processo tão acurado de cotejo do texto. Ainda assim, comece fazendo esse exercício em textos menores e tente negociar prazos mais confortáveis com seu cliente. Além do mais, você pode fazer o cotejo durante a tradução ou após traduzir o texto todo. Aos poucos, você mesmo descobrirá o modo de trabalho mais eficiente para o seu perfil.

Problemas emocionais

Autoconfiança
Algumas pessoas buscam o TransMit como forma de confirmação de sua capacidade de traduzir, e não há problema nisso. O grande erro dessas pessoas é começar o treinamento achando que vai ser fácil. Ao se deparar com os desafios propostos, esse perfil confiante começa a desvanecer e vai dando lugar ao pé no chão; nos piores casos, isso resulta em frustração e desânimo.

A essas pessoas, digo e repito o mesmo (sempre!): o TransMit é um espaço desenvolvido especificamente para o erro, e nosso objetivo é oferecer cenários complexos justamente para sabermos como o tradutor vai lidar com “o caos”. Portanto, errar é mais do que normal e esperado. De mais a mais, se o tradutor consegue identificar os erros com a gente, muito provavelmente ele estará preparado para não repeti-los em uma situação real com um cliente de verdade. Resumindo: o melhor lugar para errar é aqui.

Baixa autoestima
Diante da confiança abalada, algumas pessoas já entendem de imediato que precisam seguir em frente com mais humildade. Por outro lado, há aquelas que se deixam derrotar por um feedback não tão bom quanto esperavam, dando muita margem para a baixa autoestima. Nesses casos é preciso entender que, por mais experiência que se tenha, errar é humano. Portanto, em vez de lamentar os problemas acontecidos e chorar o leite derramado, é preciso pensar em estratégias para que eles não voltem a acontecer, e ajudar você a fazer isso é uma das principais funções da equipe do TransMit.

Ansiedade
Outra marca emocional de alguns tradutores é a ansiedade. Ela pode se refletir em um simples friozinho na barriga antes de ler o feedback ou, em alguns casos mais intensos, na sensação de incapacidade profissional. À primeira vista, alguns tradutores ansiosos se desesperam diante de textos que julgam desconhecer e acabam recuando diante do desafio. Também há casos em que o tradutor simplesmente desiste da tradução, mas que, depois de alguma insistência nossa, consegue esfriar a cabeça e acaba fazendo um trabalho melhor do que o esperado.

A medida corretiva para isso é: respire, conte até dez e, se o prazo permitir, vá espairecer antes de começar o trabalho. Tome uma xícara de café, passeie com o cachorro, faça um cafuné no gato, assista a uma série interessante na TV e procure relaxar. Feito isso, você estará muito mais tranquilo para assimilar o desafio sem aquele susto do primeiro momento.

Medo

Todo mundo sabe que uma pequena dose de medo não faz mal a ninguém. Aliás, é até bom contar com esse medinho para manter os pés na realidade, sem querer alçar voos muito altos. Ainda assim, algumas pessoas se prendem demais ao medo de dar passos maiores e tendem a ficar paradas onde estão. Mesmo depois de serem avaliadas por nós como aptas a trabalhar com agências, por exemplo, elas ficam receosas ao enviar os currículos e fazer novos testes por medo de não serem aprovadas.

Em geral, essa característica está relacionada à busca pelo “100%”. Esses tradutores acreditam que podem sempre melhorar (até aí, tudo bem), mas querem fazer novos cursos, treinamentos, comprar outras ferramentas e investir em mais formação para estarem 100% preparados. Pura ilusão. A verdade é que o 100% não existe, mesmo para quem já carrega anos de experiência nas costas, porque todo dia vamos nos deparar com um novo assunto e levar novas rasteiras de problemas desconhecidos, pequenos inconvenientes cotidianos de que nenhum curso poderá nos poupar. É assim e sempre será, mas isso só vai acontecer com quem aceitar esse fato e se jogar de peito aberto no mercado de trabalho.

Problemas ferramentais

Lamentavelmente ainda é grande o número de tradutores que investe em uma ferramenta, mas não consegue aproveitar por completo o que ela tem a oferecer. Muitas vezes isso se deve à falta de conhecimento técnico ou até mesmo ao conformismo de ter aprendido as tarefas essenciais, sem querer explorar melhor outros recursos que podem aprimorar o trabalho. Portanto, é comum conhecermos tradutores que nem sequer sabem que suas CAT Tools têm ótimos recursos de glossários, bases terminológicas e até mesmo listas personalizáveis de palavras permitidas/proibidas.

Depois de sondar um pouco melhor o assunto nos grupos de tradução do Facebook, foi possível perceber que nem todas as pessoas conseguem absorver bem as instruções de manuais escritos e tutoriais em vídeo, por mais simples que esse tipo de conteúdo possa parecer. No fim das contas, vimos que um determinado perfil de tradutores aprende muito melhor e mais rápido quando recebe orientação profissional especializada.

A medida corretiva do TransMit para isso ainda é segredo, mas posso adiantar que será bem interessante. Já estamos preparando um conteúdo excelente aqui nos bastidores para lidar com essa dificuldade, e prometo revelar tudo assim que estivermos com uma boa estrutura de atendimento a essa questão. Por enquanto, vamos deixar você na curiosidade…

Por fim, se você lembrou de mais alguma dificuldade típica da área de tradução ou até mesmo de algum problema pessoal que costuma pegar no seu pé com frequência, fique à vontade para deixar seu comentário. Quem sabe a gente não ajuda você a pensar em uma medida corretiva interessante?


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Quem já procurou o TransMit?

Depois de dois meses completos de TransMit “no ar”, recebemos e-mails praticamente todos os dias de pessoas interessadas em saber mais sobre o treinamento. Com base nas mais diversas experiências relatadas por essas (cerca de 100) pessoas, foi possível notar que, embora cada uma tenha suas peculiaridades, há determinados padrões.

Pensando nisso, surgiu a ideia de reunir essas informações em um post e pensar em alguns questionamentos: será que esses mesmos padrões se repetem em outros cursos? Como lidar com as necessidades de cada um desses grupos?

Bom, vamos entender um pouco melhor quem são os candidatos ao TransMit:

1- Tenho experiência, mas sinto que preciso melhorar
As pessoas desse perfil notam que, apesar da experiência de anos e de receberem trabalho frequentemente, é preciso melhorar. Essas pessoas percebem que a ausência de feedbacks por parte dos clientes é uma deficiência, uma carência que as faz se sentirem desorientadas, e por isso acabam tendo que buscar esses feedbacks por outros meios.

O interessante desse perfil é a constante sede de melhora. Mesmo que esses profissionais já estejam estabelecidos no mercado, para eles não basta fazer um trabalho medíocre e receber o dinheiro no final: é necessário investir no aprimoramento contínuo dos serviços prestados, o que traz a sensação de satisfação pessoal por fornecer um trabalho de boa qualidade.

2- Tenho experiência e formação em outra área, mas pouca ou nenhuma em tradução

As pessoas desse perfil se dividem em dois grupos: 1- Profissionais experientes e bem-sucedidos em outras áreas; 2- Profissionais que investiram em outra formação, mas, pelos mais diversos motivos, não se sentiram realizados.

As pessoas do primeiro grupo estão vivendo uma fase de desligamento da carreira anterior e buscam novos ares na tradução. A vida de freelancer lhes parece mais flexível, tranquila e gerenciável, e a nova rotina apetece mais do que trabalhar em um escritório fechado durante o horário comercial. Em geral, essas pessoas se sentem confortáveis para começar a trabalhar como tradutores por terem algum grau de convívio com a língua inglesa, mas também reconhecem a importância de se ajustar à realidade linguística da tradução.

Já as pessoas do segundo grupo tendem a ser mais frustradas, pois investiram em uma carreira que não rendeu os frutos desejados. Curiosamente, essas pessoas têm em comum uma dúvida: será que é válido mencionar essa outra carreira no currículo? Ou é melhor começar do zero? Costumo responder que todo conhecimento pode ser usado como um diferencial em tradução, principalmente no que tange ao domínio terminológico de uma área que nem todos os tradutores dominam. Ainda assim, em alguns casos a frustração é tanta que as pessoas preferem omitir a primeira experiência.

3- Não tenho experiência prática, mas tenho formação

As pessoas que se encaixam nesse perfil têm formação acadêmica (geralmente em tradução), fizeram cursos complementares e investiram em ferramentas e software/hardware necessários para começar a traduzir, mas não conseguem se inserir no mercado, ou começaram muito timidamente e recebem poucos trabalhos. Aliás, o interesse em obter uma certificação é muito maior nesse perfil do que nos outros.

Uma das marcas comportamentais desse grupo é a ansiedade. Essas pessoas já têm o conhecimento formal, mas estão ávidas para aplicá-lo o quanto antes a uma rotina prática de tradução. Consequentemente, a ansiedade gera desatenção no trato com os detalhes, como seguir uma instrução fácil e até mesmo ler um e-mail até o fim.

4- Não tenho formação nem experiência; não sei por onde começar

Esse quarto perfil consiste em pessoas que estão conhecendo agora o mundo da tradução. Elas conhecem alguém que traduz, ouviram falar sobre tradução, leram algum artigo relacionado ao assunto, mas ainda não sabem o que querem. É comum, por exemplo, que essas pessoas não saibam diferenciar as várias possibilidades de trabalho na área, como tradução técnica/editorial, interpretação, legendagem, dublagem etc.

Como o desconhecimento ainda é gritante nas pessoas desse perfil, até o momento nenhuma delas foi entrevistada para fazer o TransMit. Ainda assim, mesmo que não estejam aptas a começar, elas recebem um material com sugestões de livros, sites e blogs de profissionais renomados, vídeos, tutoriais e manuais das ferramentas de tradução, bem como outros recursos que possam apresentar um pouco melhor essa nova possibilidade de trabalho.

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Como já mencionado no início deste post, o TransMit está no ar há pouco tempo, e só poderemos confirmar essas tendências e perfis depois de termos mais corpus. Ainda assim, acredito que já chegou a hora de entender o público que nos procura e saber nos adaptar a cada uma dessas pessoas da melhor maneira possível. Portanto, se você é dono de algum curso, se já deu aulas ou se coordena algum empreendimento do tipo, sinta-se à vontade para deixar suas impressões aqui nos comentários. Quem sabe a gente não desenvolve melhor esse tema?


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Clientes de qualidade

Com base na minha experiência em tradução (ainda pouca, mas razoavelmente relevante) e no que vejo por aí no mercado, percebi que muitos problemas de qualidade se devem à desinformação e à má comunicação entre as partes envolvidas no processo de tradução. Como uma dessas muitas pontas soltas é o cliente, o post que você vai ler agora aborda alguns percalços bastante comuns no relacionamento entre os tradutores e seus clientes. Vamos a eles:

Perdoe, eles não sabem o que fazem

Você precisa partir do pressuposto de que, na maioria das vezes, seu cliente não conhece o mercado de tradução. Portanto, cabe a você informá-lo de que esse trabalho vai muito além de meramente reproduzir as palavras de um idioma no outro (isso o Google Translator já faz bastante bem). Ou seja, o cliente pode oferecer tarifas muito menores do que o valor esperado por desconhecer o mercado da tradução e por não saber que o ato de traduzir é complexo, e na verdade ele não tem obrigação de saber isso logo de cara.
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Sendo assim, se um cliente oferecer um trabalho e propuser um valor que você considera muito baixo por ele, recuse. No entanto, vá além de simplesmente recusar e informe-o, mostrando que a sua função envolve pesquisa terminológica, manutenção de glossários e memórias de tradução, uso de ferramentas caras e outras atribuições, e que tudo isso demanda mais tempo do que se imagina.
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Ao fazer isso, você mostra que reconhece o valor do seu próprio trabalho e o cliente percebe que não está lidando com um profissional qualquer. Além do mais, são grandes as chances de você conquistar um cliente sério que esteja disposto a pagar um valor justo por um trabalho de qualidade. Ao plantar informação, muito provavelmente você colherá bons frutos de confiança.

Ok. Eu dei a mão, mas agora ele quer o braço

Outro problema bastante comum (também relacionado à desinformação) é o cliente que demanda escopos diferentes por um preço único. Cada vez mais vejo tradutores reclamarem de clientes que enviam arquivos escabrosos com tarefas complexas de DTP, por exemplo, mas querendo pagar apenas o valor de um trabalho  de tradução.

Novamente, para evitar estresse, dê uma de João sem braço e parta do pressuposto de que seu cliente não sabe muito bem o que está pedindo. Informe que tradução e DTP (ou qualquer outra atividade adicional envolvida) são tarefas muito diferentes, que exigem esforços diferentes, ferramentas diferentes e até mesmo profissionais diferentes. Se entender isso e valorizar seu trabalho, ele certamente não verá problema em pagar um valor maior e mais justo pelos dois serviços. Daí em diante, cabe a você avaliar se quer terceirizar a tarefa ou se você mesmo já tem conhecimento para assumi-la.

E se o meu cliente já souber de tudo isso, mas continuar oferecendo um valor baixo pelo meu trabalho?

De todos, esse é o caso mais difícil. Se o cliente já conhece todo o processo e continua oferecendo um valor muito baixo pelo trabalho, repense a parceria com ele. Eu sei que isso é complicado no caso de tradutores iniciantes, que ainda não podem se dar ao luxo de recusar clientes. Nesse caso, o iniciante pode aproveitar a oportunidade de trabalho com esse cliente para exercitar a prática da tradução e ganhar mais experiência até amadurecer o bastante para bater asas e voar em busca de outros que paguem melhor.
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Pensando assim, então podemos afirmar que todos os clientes que não pagam o valor esperado querem única e exclusivamente lucrar “explorando” nosso trabalho. Certo? Errado. Assim como tradutores têm suas despesas, os clientes (em especial intermediários, como agências) também precisam pagar suas contas, manter seus funcionários internos, atualizar ferramentas/instalações de trabalho, contratar profissionais terceirizados etc. Como resultado, o valor cheio pago por um cliente direto pode sofrer reduções drásticas até chegar às mãos do tradutor que aceita trabalhos de um intermediário. Tudo bem, é óbvio que você vai lidar com muita gente mal-intencionada por aí; mas também não se vitimize pensando que o mercado está repleto de lobos devoradores de dinheiro.
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Resumindo: se o cliente já conhece todos os pormenores do processo de tradução e continua oferecendo um valor muito abaixo das suas expectativas, tire seu time de campo. No entanto, se você sentir que ele é um bom cliente, seja honesto e procure sair de cena educadamente, explicando que no momento o valor pago não atende a suas necessidades. Saia, mas não feche a porta de vez; no melhor dos casos, o cliente que hoje não paga o que você espera pode dar uma reviravolta e contratar seu trabalho por um valor muito mais justo no futuro.

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