Tradutor e CAT Tool: uma relação de responsabilidade e equilíbrio

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Tradutor e CAT Tool: uma relação de responsabilidade e equilíbrio

As ferramentas de localização podem ser incríveis, apesar de seus pesares e bugs. Elas facilitam o trabalho, ajudam a manter a consistência da terminologia, melhoram a produtividade e, em última análise, ajudam você a fidelizar mais clientes. Por outro lado, tem algo que elas nunca vão fazer por você: assumir a responsabilidade pela qualidade final do seu texto.

Isso mesmo. A ferramenta ajuda, mas o responsável pela qualidade do trabalho é sempre o tradutor e a importância que ele dedica à tradução. Muitos dos melhores tradutores que já conheci ou com quem trabalhei não sabiam usar ferramentas porque optaram por trabalhar com foco única e exclusivamente no texto, e harmonizar a capacidade de tradução e o uso de tecnologias nem sempre é um exercício simples.

Isso significa que os melhores tradutores são aqueles que não usam as ferramentas de tradução? De jeito nenhum. Muitos gerentes e agências deixam de trabalhar com um tradutor por ele não ter a ferramenta, e infelizmente não se pode fugir desse requisito em certos projetos. Há casos em que uma determinada CAT Tool de uma versão específica precisa ser usada, então saber usar bem uma ferramenta é muito importante (praticamente essencial, dependendo da sua área de atuação).

Aliás, um movimento contrário também acontece: convivi com bons localizers que estavam tão preocupados em aumentar a produtividade e aprender a usar cada recurso da ferramenta que acabavam negligenciando o texto. Quando o aproveitamento da memória e os aspectos puramente mecânicos do trabalho falam mais alto do que a importância que se dá ao texto, a qualidade do arquivo final acaba sofrendo as consequências.

Nesses casos, equilíbrio é a palavra de ordem. O que não pode acontecer é o tradutor dedicar toda a atenção à ferramenta, confiando cegamente em seus recursos funcionais. Por melhor que seja a sua CAT Tool, você não pode achar que o F7 vai pegar todos os seus erros ortográficos, que a TM vai sempre propor as melhores traduções, que o glossário vai garantir a consistência, que os atalhos vão fazer a inclusão correta das tags no texto… É claro que tudo isso ajuda (e muito), mas não acredite que é o bastante para fazer um ótimo trabalho. Uma ferramenta só vai trabalhar bem se você souber assumir o controle dela.

Aprenda a usar as CAT Tools. Elas vão ajudar com a produtividade e, se devidamente configuradas, vão dar uma mãozinha com alguns problemas mais comuns, mas saiba que a qualidade final do trabalho é inteiramente de responsabilidade sua. Dedique um tempo ao texto, faça as verificações de praxe (a Mitsue já falou sobre isso), estude mais e seja o melhor tradutor que você pode ser. Por mais que estejamos vivendo um momento tão intenso de avanço das tecnologias de tradução, nenhuma CAT Tool jamais vai isentar o tradutor da responsabilidade pelo próprio aprimoramento pessoal.

Publicado por: Bruno Fontes


1 Comment

suany Lima

janeiro 13, 2017at 7:51 am

Hey, Bruno! Adorei o seu texto. Agradeço a sua contribuição 🙂

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