Author Archives: Mitsue Siqueira

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Dicas para uma boa comunicação por email

Comunicação é tudo, principalmente na nossa área, já que na maioria das vezes as idas e vindas da tradução acontecem online. Então, pensando em evitar problemas de comunicação por e-mail, sugerimos que você siga algumas diretrizes para termos uma boa experiência no TransMit. Vamos a elas:

1- Desconfie se os feedbacks demorarem mais de três dias para chegar: nosso tempo de resposta costuma ser bem rápido, principalmente na primeira semana, e em geral não passamos de dois dias para enviar os textos revisados. Quando nossas revisoras percebem que pode haver algum atraso, elas sempre nos avisam, então você certamente será comunicado. Se ficarmos quietinhos por muito tempo, desconfie e entre em contato conosco por outros meios (Skype, Facebook ou WhatsApp).

2- Verifique sua caixa de spam: pode acontecer de nossas mensagens terem parado lá. Se isso acontecer, você precisa marcar nosso endereço como remetente confiável. Clique nos links para saber como fazer isso pelo Gmail e pelo Outlook. Se você trabalha com outro provedor de e-mail, entre em contato conosco.

3- Confirmem o recebimento de todas as mensagens: às vezes um simples “Ok” ou “Recebido” já basta para nos deixar cientes de que a mensagem chegou a você sem problemas. Se quiser, você também pode confirmar usando os outros meios de comunicação mencionados no item 1, mas o ideal é o e-mail.

4- Os outros meios de comunicação são apenas um recurso complementar: não esqueça de que a comunicação principal deve ser feita sempre por e-mail. Não use os outros meios para enviar suas traduções ou transferir arquivos importantes, por exemplo. Como o e-mail é a nossa forma oficial de comunicação, tudo o que acontece fora dele pode ser considerado off the record. Use apenas para confirmar o recebimento ou o envio de mensagens importantes.

5- Copie a si mesmo nas mensagens: se desconfiar de que suas mensagens não estão chegando a um determinado destinatário, inclua outro e-mail seu na cópia e verifique o recebimento. Assim, será possível identificar onde está a raiz do problema.

Em caso de outras dúvidas, não deixe de entrar em contato com o Bruno Fontes ([email protected]).


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Tradutor e CAT Tool: uma relação de responsabilidade e equilíbrio

As ferramentas de localização podem ser incríveis, apesar de seus pesares e bugs. Elas facilitam o trabalho, ajudam a manter a consistência da terminologia, melhoram a produtividade e, em última análise, ajudam você a fidelizar mais clientes. Por outro lado, tem algo que elas nunca vão fazer por você: assumir a responsabilidade pela qualidade final do seu texto.

Isso mesmo. A ferramenta ajuda, mas o responsável pela qualidade do trabalho é sempre o tradutor e a importância que ele dedica à tradução. Muitos dos melhores tradutores que já conheci ou com quem trabalhei não sabiam usar ferramentas porque optaram por trabalhar com foco única e exclusivamente no texto, e harmonizar a capacidade de tradução e o uso de tecnologias nem sempre é um exercício simples.

Isso significa que os melhores tradutores são aqueles que não usam as ferramentas de tradução? De jeito nenhum. Muitos gerentes e agências deixam de trabalhar com um tradutor por ele não ter a ferramenta, e infelizmente não se pode fugir desse requisito em certos projetos. Há casos em que uma determinada CAT Tool de uma versão específica precisa ser usada, então saber usar bem uma ferramenta é muito importante (praticamente essencial, dependendo da sua área de atuação).

Aliás, um movimento contrário também acontece: convivi com bons localizers que estavam tão preocupados em aumentar a produtividade e aprender a usar cada recurso da ferramenta que acabavam negligenciando o texto. Quando o aproveitamento da memória e os aspectos puramente mecânicos do trabalho falam mais alto do que a importância que se dá ao texto, a qualidade do arquivo final acaba sofrendo as consequências.

Nesses casos, equilíbrio é a palavra de ordem. O que não pode acontecer é o tradutor dedicar toda a atenção à ferramenta, confiando cegamente em seus recursos funcionais. Por melhor que seja a sua CAT Tool, você não pode achar que o F7 vai pegar todos os seus erros ortográficos, que a TM vai sempre propor as melhores traduções, que o glossário vai garantir a consistência, que os atalhos vão fazer a inclusão correta das tags no texto… É claro que tudo isso ajuda (e muito), mas não acredite que é o bastante para fazer um ótimo trabalho. Uma ferramenta só vai trabalhar bem se você souber assumir o controle dela.

Aprenda a usar as CAT Tools. Elas vão ajudar com a produtividade e, se devidamente configuradas, vão dar uma mãozinha com alguns problemas mais comuns, mas saiba que a qualidade final do trabalho é inteiramente de responsabilidade sua. Dedique um tempo ao texto, faça as verificações de praxe (a Mitsue já falou sobre isso), estude mais e seja o melhor tradutor que você pode ser. Por mais que estejamos vivendo um momento tão intenso de avanço das tecnologias de tradução, nenhuma CAT Tool jamais vai isentar o tradutor da responsabilidade pelo próprio aprimoramento pessoal.

Publicado por: Bruno Fontes


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Parabéns pra você!

Ontem foi meu aniversário, e eu amo a data desde que me entendo por gente. Todos os anos, alguns dias antes do 27 de novembro, minha mãe surge com uma nostalgia engraçada e fica relembrando o que sentia no momento em que eu estava prestes a nascer: “Essa hora eu já estava indo para o hospital…” e por aí vai. De certa forma, é como se ela conseguisse reviver a experiência.

Recentemente, descobri que comigo não foi diferente. Não tenho filhos, mas é que um ano atrás comecei a escrever uma história que não sabia que fim teria, e esses dias me peguei revivendo aqueles momentos. No caminho para o trabalho, durante a madrugada, às vezes até no banho, eu escrevia. Um pedacinho aqui, uma frase ali, aquelas palavras que eu tinha que anotar para não esquecer… No fim das contas, tudo foi se encaixando. Depois disso, mostrei a história para seis experts e amigos da mais extrema confiança buscando saber o que eles acharam, e a maioria das respostas se resumiu a um convicto: “Vai com tudo!”. Eu fui.

Assim, nasceu o TransMit. A ideia abrupta, com estrutura montada em menos de duas semanas, tomou uma forma que eu jamais imaginaria. Com a ajuda fundamental de dois dos melhores amigos que alguém pode ter, o TransMit atendeu a cerca de 40 tradutores em seu primeiro ano de existência. São pessoas de quatro regiões do Brasil e até mesmo de outros países. Sim, nosso projeto chegou a quatro continentes.

Ah, e o que falar das pessoas? Todas disseram que aprenderam muito conosco, mas elas não fazem ideia do quanto aprendemos com elas. Sem exceção, lidar com cada uma delas fez de mim uma pessoa melhor e mais preparada. Tranquilas, ansiosas, adoráveis, serenas, curiosas, discretas, neuróticas, inteligentes, inquietas, reclusas, não importa. No fim, muitas se tornaram parceiras e amigas, cada uma a seu modo.

Hoje, posso dizer com um orgulho muito forte que o TransMit cumpriu seu dever e ainda foi muito além do esperado. Quem está comigo desde o início sabe que meus principais objetivos sempre foram aprender, me divertir e me tornar uma pessoa mais completa. Conhecemos pessoas, ampliamos horizontes, revimos conceitos, fizemos parcerias e até patrocinamos um evento, vê se pode? É claro que pode.

Um ano depois daquele ponto de partida tão frágil e incerto, só me resta continuar trabalhando para que o próximo ano renda frutos tão maravilhosos quanto os que colhi em 2016. Parabéns para mim, parabéns para nós e feliz nova etapa!


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Compactação de arquivos: 7-Zip

Como todo engenheiro de localização que se preze, se tem algo que eu sempre gosto de fazer é conhecer ferramentas, aplicativos e recursos que facilitam meu dia a dia e agilizam o trabalho. Já até escrevi um post aqui sobre o ClipX, um gerenciador de área de transferência, mas o assunto de hoje é compactação de arquivos.

O Windows 10 tem seu próprio compactador, que funciona com arquivos .zip, o que é suficiente para a maioria das pessoas. No entanto, recebi alguns feedbacks dos tradutores do TransMit afirmando que o compactador do Windows não inclui pastas vazias no zip, e isso acaba sendo frustrante para quem precisa incluir essas pastas o tempo todo.

Se é esse o seu caso, recomendo uma ferramenta substituta: o 7-Zip. Além de arquivos .zip, o 7-Zip compacta e descompacta vários outros formatos, inclusive arquivos .rar. Para baixá-lo, basta entrar no site e escolher a versão adequada de acordo com o seu Windows: 32-bit ou 64-bit. Se você não tem certeza ou se não sabe o que isso significa, baixe a versão 32-bit, pois ela vai funcionar.

Depois de instalar o 7-Zip, recomendo as configurações a seguir para facilitar o uso:

  1. Acesse Tools -> Options;
  2. Selecione a aba 7-zip;
  3. Deixe marcadas apenas estas opções:
    – Integrate 7-zip to shell context menu
    – Integrate 7-zip to shell context menu (32-bit)
    – Cascaded context menu
    – Eliminate duplication of root folder
    – Extract Here
    – Extract to <Folder>
    – Add to <Archive> .zip
  4. Clique em OK e feche o programa.

Feito isso, você só vai ter que clicar com o botão direito nos arquivos que quer compactar ou descompactar e escolher a opção desejada no submenu 7-Zip. O processo todo é muito simples, mas não deixe de registrar suas perguntas aqui nos comentários, caso surja alguma dúvida. Ah, e aproveite o espaço para sugerir outras ferramentas parecidas também 😉

 

Autor: Bruno Fontes


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Meus procedimentos básicos de qualidade

Desde que comecei a trabalhar com revisão, convivo com tradutores muito experientes e com aqueles que estão começando agora, e nos dois grupos percebi algo em comum: muita gente boa erra bobeira por pura falta de atenção. A questão nem é cometer erros por distração (isso todo mundo comete), pois quem traduz sabe que é muito fácil escorregar nos detalhes; o grande problema está em não pensarmos em procedimentos que ajudem a resolver essa situação.

Esses procedimentos são tarefas menores, etapas complementares que deveriam ser sempre realizadas no processo de TEP (Translation > Editing > Proofing), e a elas eu costumo chamar de verificações finais. Por exemplo, quando recebo um arquivo para revisão, a primeira coisa que eu faço é dar conta de todas as verificações finais do texto. Por mais que seja estranha essa ideia de começar pelo final, a intenção é avaliar se o tradutor fez o que se esperava dele no fim da tradução. Ou seja, nesse primeiro contato com o texto, eu faço o QA da CAT Tool, uso o Xbench, colo a tradução em um arquivo vazio do Word (para verificação gramatical e ortográfica) e, por fim, faço a correção ortográfica de volta na CAT Tool.

Eu sei que escrevendo assim parece muito, mas na maioria dos casos não é. É claro que isso pode ser bem trabalhoso, dependendo da qualidade do texto recebido e da quantidade de palavras e arquivos do projeto, mas você não faz ideia de quantos erros eu consigo identificar só com esses processos praticamente mecânicos. Então, mesmo que o projeto seja grande, vale muito a pena dedicar um tempo a essas verificações.

Para entender melhor o propósito de cada uma delas, organizei um resumo sobre a importância desses procedimentos no meu cotidiano. Aliás, não uso essas diretrizes apenas quando eu tenho que revisar, mas também sigo sempre que termino de traduzir um projeto. Vamos a elas:

Etapa 1: QA e corretor da CAT Tool

A maioria das CAT Tools conta com um recurso de QA, e não, ele não está lá apenas para enfeitar a interface do usuário. É claro que a eficácia do QA das ferramentas varia, até porque umas têm verificações mais detalhadas do que as outras, mas todas elas ajudam a pescar os problemas que nossos olhos não viram.

Resolvidos todos os problemas que o QA identificou (geralmente erros de tag, espaçamento, numeração etc.), parto para primeira correção ortográfica. Em praticamente tudo que eu uso, o atalho do corretor é o F7. Depois de usá-lo e fazer mais essa rodada de correções no texto, saio do ambiente da CAT Tool e parto para o Xbench.

Etapa 2: QA do Xbench (e corretor)

Senhoras e senhores, é com muita alegria que apresento o Xbench a quem ainda não conhece. Diferentemente das CAT Tools, que são usadas para ajudar a traduzir um arquivo, o Xbench é usado apenas depois da tradução para verificar o arquivo bilíngue exportado. Essa lindeza tem uma versão gratuita, a 2.9 (disponível para download aqui), e já me ajudou a evitar muita saia justa. O Xbench faz uma série de verificações de qualidade, como possíveis problemas de terminologia, espaçamento, numeração, adição/omissão de tags, formatação… Enfim, todos esses detalhes pontuais que a gente costuma ignorar enquanto se concentra em outros aspectos da tradução.

A pergunta que você deve estar se fazendo é: “Mas se eu já fiz o QA na minha CAT Tool, por que preciso usar essa ferramenta?”. Minha resposta (um conselho, na verdade) é: “Porque você precisa ser neurótico”. Pode acreditar, a neurose de não confiar apenas no QA de uma ferramenta já me salvou de alguns resultados negativos que eu sei que cairiam no meu colo, se não fosse essa camada extra de segurança. Além do mais, dependendo do tamanho do arquivo (e da qualidade do texto), rodar o Xbench não vai tomar dois minutos da sua vida.

Muita gente não sabe, mas a versão paga do Xbench (a 3.0) trabalha também com correção ortográfica. Em outras palavras, além das verificações que a versão gratuita oferece, a paga também pode ajudar com a corrigir os erros de digitação do seu texto. Acesse este link para aprender a configurar o corretor no Xbench.

Etapa 3: olhômetro e corretor do Word

Passada a vassoura geral das etapas que você já viu, é hora de copiar somente a tradução e colar no Word para mais uma verificação, uma espécie de proofing, só que muito mais rapidinho. Ao contrário das etapas anteriores, que corrigem erros pontuais, a verificação no Word exige um pouco mais de atenção visual, principalmente porque os erros que ainda sobreviverem vão aparecer com um destaque vermelho (erros de ortografia) ou verde/azul (erros de gramática).

Mais uma vez, usar o Word para quê? Particularmente, acho essencial passar os olhos pelo arquivo traduzido fora da interface da ferramenta, de preferência com o zoom em quase 200%. Assim, eu permito que a minha cabeça descanse um pouco do visual da CAT Tool, o que me deixa mais atenta, já que estou trabalhando em um ambiente totalmente diferente, ainda que o texto seja o mesmo.

Se pudermos fazer isso no formato final do arquivo (PDF, PPT etc.), melhor ainda. Você vai se surpreender com a quantidade de alterações e melhorias que fazemos nesta etapa. Há quem goste de imprimir os textos e revisar no papel, mas nem sempre isso vai ser possível (imagine ter que revisar 2.000 páginas no papel?). No meu caso essa estratégia não funciona, mas acho que vale mencionar para contemplar o pessoal que consegue trabalhar textos pequenos com essa prática.

Finalizada a fase do olhômetro, é hora de passar o F7 no Word e seguir corrigindo o que for necessário, mas lembre-se: todas as correções que surgirem durante esta e as outras etapas devem ser feitas sempre no arquivo bilíngue da ferramenta! Afinal de contas, na maioria dos casos é o arquivo bilíngue que o cliente pede de você.

Etapa 4: corretor da CAT Tool

Por favor, não pense que estou maluca, mas você leu isso mesmo. Depois de ter percorrido todo esse caminho, minha última verificação de qualidade é voltar ao ponto de partida e passar o corretor ortográfico na CAT Tool novamente. Prefiro SEMPRE deixar a correção ortográfica para o final, e a explicação é muito simples: enquanto a gente foi corrigindo vários pedaços do texto durante as outras verificações, quem garante que não inserimos novos erros? Então, para não deixar aquele problema horrendo de digitação escapar depois de tanto esforço, eu passo o F7 novamente na CAT Tool.

Pronto, agora acabou, juro. Quer dizer, acabaram as etapas básicas do pós-tradução, porque tudo isso consiste só em uma varridinha na casa de quem vai revisar o texto mais a fundo. E claro, essas são as etapas que eu costumo usar, a ordem na qual eu me sinto mais confortável para trabalhar, mas pode ser que você prefira seguir procedimentos diferentes de outra maneira.

Seja como for, o grande objetivo deste post é fazer você pensar criticamente na qualidade do seu próprio trabalho. Será que você está fazendo o máximo possível para não vacilar? Caso não tenha o hábito de fazer verificações de qualidade, sinta-se livre para usar esse conteúdo como ponto de partida. Se você já segue algum procedimento diferente, compartilhe comigo aqui no campo de comentários e vamos ser neuróticos juntos.

P.S.: não se iluda. Por mais que a gente siga tudo isso bonitinho, volta e meia Titivillus aparece pra dar um “oi”…


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VI Conferência Brasileira do ProZ.com

De todos, acredito que este seja o post do blog que mais me deixou orgulhosa até agora. A grande novidade é que, apesar de ter menos de um ano de existência, o TransMit já está grandinho o bastante para patrocinar um evento da área de tradução: a VI Conferência Brasileira do ProZ. A conferência acontecerá nos dias 23 a 25 de setembro, em Curitiba, uma cidade que eu mal posso esperar para conhecer.

Pelo lema “Boas práticas e caminhos”, a organização já deixa claro que a ideia é dar exemplos positivos de caminhos que podem servir de inspiração e base para o nosso sucesso profissional. Seguindo esse pensamento, marcarei presença com uma palestra para mostrar que só errar não basta, mas que é preciso extrair o potencial dos erros e fazer o que estiver ao nosso alcance para aprender com eles.

Quem acompanha minhas palestras sabe que costumo falar muito sobre os vilões dos textos (problemas de gramática, ortografia, estilo etc.), mas há vários outros que constantemente tiram o nosso sono. Alguns são monstros enraizados em nós mesmos, como a ansiedade e a procrastinação, enquanto outros nem sempre estão ao nosso alcance, por exemplo, a falta de organização dos clientes. Portanto, considere esta palestra como um momento para encarar de vez esses outros vilões.

No entanto, não se engane achando que vou passar uma hora falando só sobre coisas ruins para o público ouvir: desta vez, a palavra-chave vai ser interação. Mesmo que eu use algumas situações pessoais como base, vamos ilustrar histórias, conversar sobre problemas (emocionais e práticos), ouvir um bocadinho do que cada um tem a dizer e propor soluções interessantes, tudo isso conjuntamente.

Em suma, o objetivo é pensar em estratégias, boas práticas e pequenas atitudes que podem mudar radicalmente nossa postura profissional. Afinal de contas, o caminho entre o primeiro e-mail e a entrega final de um projeto traduzido é longo e cheio de desafios, e o melhor que você pode fazer é se preparar para enfrentar todos eles de cabeça erguida. Então, vejo você em Curitiba 😉


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Quando o melhor cliente não é o que paga mais

Terminada a minha palestra no VII Congresso da Abrates, que este ano foi no Rio (e foi sensacional!), muita gente se impressionou com a minha “coragem” de dizer que a agência em que trabalho não paga bem, principalmente com o chefe ali na plateia. O problema é que não há nada de coragem nisso, pois trata-se de apenas um fato mais velho do que a minha (e provavelmente a sua) tetravó. Como assim não paga bem? Explico.

Como em toda relação de compra e venda, seja em tradução ou não, quanto mais mediadores se tem, menos se ganha. A fórmula é muito simples: se o cliente final tem o orçamento de 0,50/palavra e se você consegue negociar diretamente com ele, esse valor cheio é todo seu. No entanto, se a comunicação entre vocês é mediada por uma ou duas agências, essa pizza é repartida entre todos, e nem sempre você fica com aquele pedaço gostoso que tem pepperoni.

Aliás, isso não é novidade. Como já comentei, a fórmula é típica de toda relação de negócios, seja de qual área for. Portanto, não se assuste se uma agência de tradução não quiser ou não conseguir pagar o valor que você quer ganhar. Por melhor que você seja e por mais que eles te adorem, tenha em mente que uma empresa deve arcar com vários custos e impostos, que não são poucos e que ficam cada vez maiores dependendo do porte. Ok, a pergunta que surge agora é: sabendo disso, vale a pena trabalhar com agências? É aí que entram dois números de que gosto muito.

0% e 91%

Por mais que a ideia pareça tentadora (e até muito óbvia), não pense que os próximos parágrafos foram escritos por uma puxa-saco de carteirinha. Procure pensar que eles foram escritos por alguém cuja única experiência pessoal aconteceu em apenas uma empresa, a Ccaps. Para quem não conhece, vai uma apresentação rapidinha: a Ccaps é uma prestadora de serviços linguísticos que atua principalmente no mercado latino-americano, fornecendo traduções nos idiomas inglês, português e espanhol (e outros, mas com menos frequência).

Bom, vamos aos números. Esse 0% se refere a nada mais nada menos do que o índice de inadimplência da empresa. Traduzindo: essa é a quantidade de calotes que a Ccaps já deu em 15 anos de mercado. Vamos combinar que, em um país caloteiro como o nosso (e não só aqui), trabalhar com uma empresa que nunca atrasou um pagamento de seus tradutores externos nem dos funcionários internos é um luxo. Diga-se de passagem, esse 0% só foi possível porque a Ccaps conta com um departamento financeiro muito bem preparado para sanar toda e qualquer dúvida que os tradutores venham a ter. Não recebeu a PO ainda? Não entendeu aquele somatório de valores? Não está conseguindo emitir uma nota fiscal, sabe-se lá por quê? Entre em contato e eles sempre respondem.

Dito isso, vamos partir para o segundo número, o nosso 91%, do qual também me orgulho muito. Esse é o índice de satisfação dos tradutores, que, aliás, cresceu em cerca de cinco pontos percentuais nos últimos três anos (sim, é coisa à beça). Traduzindo: apesar de a Ccaps nem sempre pagar o valor que todo tradutor gostaria de receber, nossos tradutores estão muito satisfeitos por trabalhar com a gente.

Esse número é extraído das pesquisas de satisfação que a Ccaps faz no fim de cada ano, desde 2013. Com elas, os tradutores têm total liberdade para avaliar cada departamento da empresa, apontar os defeitos, dizer se houve falhas de comunicação, atendimento, pagamento etc. Em suma, é uma oportunidade e tanto de botar a boca no trombone.

Além disso, assim como na parte financeira, a Ccaps conta com um departamento linguístico (do qual eu faço parte) que trabalha para enviar feedbacks constantes aos tradutores, procurando desenvolver o desempenho deles, em vez de simplesmente descartá-los e partir para outra. Também suamos a camisa para criar um material complementar de auxílio a tradutores novos (um guia bacanérrimo de boas-vindas), além de guias de estilo, glossários, bases terminológicas e até mesmo do suporte ao uso de ferramentas. Uma parte desse material fica disponível bem aqui.

E para você não ceder àquela tentação inicial de me achar puxa-saco, vou aproveitar e dizer algo que passarinhos verdes e confiáveis me contaram no congresso: ao que parece, uma outra agência semelhante, a Wordlink, tem um ambiente de trabalho excepcional para estagiários. Não posso afirmar isso por experiência própria, mas conheço algumas pessoas da equipe e, de fato, elas parecem ser muito acolhedoras.

Afinal, vale a pena trabalhar com agências?

Não posso responder por você, mas me diga: então, acha que vale? Sou da opinião de que nenhum dinheiro no mundo paga minha paz de espírito, então minha resposta é sim, mas não com qualquer agência. No caso da Ccaps, por exemplo, já ouvi vários tradutores dizerem que priorizam trabalhar conosco porque “vocês nunca me deram dor de cabeça”. Então, acho que receber menos do que aquele valor cheio do cliente direto acaba compensando em alguns casos.

Isso sem falar que o trabalho com o cliente direto pode envolver várias outras tarefas que não apenas tradução. E se ele enviar um formato de arquivo que exija DTP? E se a sua ferramenta travar por causa daquele erro bizarro e você não conhecer engenheiros que possam resolver o problema? Você vai conseguir absorver essa tarefa? Em alguns casos o tradutor precisa assumir duas ou até três funções, e muitas vezes os iniciantes se desesperam ao ter que lidar com essa demanda.

Isso não quer dizer que todo cliente direto é complicado, mas em geral eles precisam, sim, de mais orientação do que uma agência estruturada. Aliás, pode acontecer de você esbarrar em algumas agências enroladíssimas também, então acaba sendo muito relativo. Ah, e não fique achando que todo e qualquer cliente direto vai pagar sempre rios e mais rios de dinheiro, viu? Não espere virar o Trump brasileiro só porque você atende a vários clientes diretos.

Enfim, seja como for, ao fazer sua pesquisa de clientes em potencial não deixe de pensar nesses aspectos. Será que os funcionários daquela empresa são confiáveis? Eles parecem saber o que estão fazendo, ou são enrolados/enroladores? A comunicação com eles fluiu, ou foi confusa? Os textos do site são bem escritos (sim, isso é importantíssimo nas empresas de tradução!)?

Trabalhe para minimizar as chances de a sua cabeça doer, seja por causa de calotes, tarefas impossíveis ou prazos inalcançáveis. Se o cliente (agência ou direto) paga bem, mas tem cheiro de estresse, ansiedade, aborrecimento ou preocupação, faça o cálculo e veja se compensa. Se não, corra e tente procurar outros que deem mais sossego. No fim das contas, cedo ou tarde você vai perceber que dinheiro nenhum compra aquele soninho tranquilo à noite.


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Jogo dos 7 erros

Na semana passada, postei na página do TransMit no Facebook um infográfico simples sobre os tipos de erro mais frequentes desses primeiros quatro meses de atividade. Como prometi um detalhamento desses erros em forma de texto (e como promessa é dívida), aqui estão eles e algumas sugestões de medida corretiva. Posso apostar que você já se deparou com pelo menos um desses monstros em algum momento da sua vida profissional. Vamos a eles?

Problemas textuais

Português
Os erros básicos de português continuam sendo os grandes vilões dos textos. Sim, básicos mesmo, como problemas de ortografia e escorregadas dispensáveis de concordância. O chato desse tipo de problema é que ele expõe demais a fragilidade e a falta de cuidado com o texto, já que não é necessário alto grau de conhecimento linguístico nem formação acadêmica em Letras ou afins para identificá-lo. Em suma, qualquer leitor minimamente atento perceberá a presença desagradável daquele erro gritante e inconveniente no texto, e a credibilidade do seu trabalho de tradução e revisão pode ser muito prejudicada por isso.

Por outro lado, a parte “boa” desses erros é que eles são relativamente fáceis de corrigir: basta usar o corretor ortográfico e gramatical (F7) sempre, em todo e qualquer material escrito que você enviar ao cliente. Esse procedimento não garante 100% de qualidade, pois pode acontecer de o corretor não identificar um erro ou outro, mas certamente ele fará uma boa limpa na tradução. Aliás, “material escrito” não envolve somente o arquivo a ser traduzido, mas também suas mensagens de e-mail e qualquer outro texto que você venha a escrever para o cliente. Além do mais, uma lidinha (mesmo que rápida) na sua própria tradução também fará milagres por você. Seja como for, tenha em mente que um bom tradutor não pode mais se deixar fragilizar por erros tão básicos de português.

Se você tiver dúvidas sobre como configurar a correção ortográfica na sua ferramenta, a Ccaps preparou uma compilação bem interessante de links que podem ajudar. Acesse esse conteúdo aqui.

Inglês
No inglês, o maior problema tem sido a decodificação dos sintagmas. Por mais simples que pareça, a boa e velha inversão das estruturas oracionais ainda é desafiadora em segmentos mais complexos, com três ou mais sintagmas. Para ilustrar, um exemplo: em um termo simples, como removal cost, respeitamos a inversão de ordem e traduzimos corretamente como “custo de remoção”. Porém, no contexto de uma frase mais longa, muitos tradutores ainda se confundem e acabam empregando a forma inadequada “remoção de custo”. Além disso, no processo do ir e vir de inglês para português, naturalmente nos distraímos e acabamos omitindo e adicionando palavras, o que acontece ainda mais vezes com quem usa e abusa do Ctrl+C / Ctrl+X / Ctrl+V.

A medida corretiva para esses dois problemas é o exercício constante do cotejo de um texto traduzido. Ou seja, é necessário dedicar um bom tempo, além de esforço, para comparar cada frase traduzida com sua correspondente no texto original e ver se houve perda ou inversão de alguma parte importante da estrutura (palavras omitidas, traduções que não correspondem ao termo em inglês etc.). Esse exercício é naturalmente lento e requer muito esforço no início, como toda prática, mas aos poucos você se acostumará a conviver com esse procedimento de qualidade na sua rotina de trabalho.

Vale mencionar que nem todos os prazos vão permitir um processo tão acurado de cotejo do texto. Ainda assim, comece fazendo esse exercício em textos menores e tente negociar prazos mais confortáveis com seu cliente. Além do mais, você pode fazer o cotejo durante a tradução ou após traduzir o texto todo. Aos poucos, você mesmo descobrirá o modo de trabalho mais eficiente para o seu perfil.

Problemas emocionais

Autoconfiança
Algumas pessoas buscam o TransMit como forma de confirmação de sua capacidade de traduzir, e não há problema nisso. O grande erro dessas pessoas é começar o treinamento achando que vai ser fácil. Ao se deparar com os desafios propostos, esse perfil confiante começa a desvanecer e vai dando lugar ao pé no chão; nos piores casos, isso resulta em frustração e desânimo.

A essas pessoas, digo e repito o mesmo (sempre!): o TransMit é um espaço desenvolvido especificamente para o erro, e nosso objetivo é oferecer cenários complexos justamente para sabermos como o tradutor vai lidar com “o caos”. Portanto, errar é mais do que normal e esperado. De mais a mais, se o tradutor consegue identificar os erros com a gente, muito provavelmente ele estará preparado para não repeti-los em uma situação real com um cliente de verdade. Resumindo: o melhor lugar para errar é aqui.

Baixa autoestima
Diante da confiança abalada, algumas pessoas já entendem de imediato que precisam seguir em frente com mais humildade. Por outro lado, há aquelas que se deixam derrotar por um feedback não tão bom quanto esperavam, dando muita margem para a baixa autoestima. Nesses casos é preciso entender que, por mais experiência que se tenha, errar é humano. Portanto, em vez de lamentar os problemas acontecidos e chorar o leite derramado, é preciso pensar em estratégias para que eles não voltem a acontecer, e ajudar você a fazer isso é uma das principais funções da equipe do TransMit.

Ansiedade
Outra marca emocional de alguns tradutores é a ansiedade. Ela pode se refletir em um simples friozinho na barriga antes de ler o feedback ou, em alguns casos mais intensos, na sensação de incapacidade profissional. À primeira vista, alguns tradutores ansiosos se desesperam diante de textos que julgam desconhecer e acabam recuando diante do desafio. Também há casos em que o tradutor simplesmente desiste da tradução, mas que, depois de alguma insistência nossa, consegue esfriar a cabeça e acaba fazendo um trabalho melhor do que o esperado.

A medida corretiva para isso é: respire, conte até dez e, se o prazo permitir, vá espairecer antes de começar o trabalho. Tome uma xícara de café, passeie com o cachorro, faça um cafuné no gato, assista a uma série interessante na TV e procure relaxar. Feito isso, você estará muito mais tranquilo para assimilar o desafio sem aquele susto do primeiro momento.

Medo

Todo mundo sabe que uma pequena dose de medo não faz mal a ninguém. Aliás, é até bom contar com esse medinho para manter os pés na realidade, sem querer alçar voos muito altos. Ainda assim, algumas pessoas se prendem demais ao medo de dar passos maiores e tendem a ficar paradas onde estão. Mesmo depois de serem avaliadas por nós como aptas a trabalhar com agências, por exemplo, elas ficam receosas ao enviar os currículos e fazer novos testes por medo de não serem aprovadas.

Em geral, essa característica está relacionada à busca pelo “100%”. Esses tradutores acreditam que podem sempre melhorar (até aí, tudo bem), mas querem fazer novos cursos, treinamentos, comprar outras ferramentas e investir em mais formação para estarem 100% preparados. Pura ilusão. A verdade é que o 100% não existe, mesmo para quem já carrega anos de experiência nas costas, porque todo dia vamos nos deparar com um novo assunto e levar novas rasteiras de problemas desconhecidos, pequenos inconvenientes cotidianos de que nenhum curso poderá nos poupar. É assim e sempre será, mas isso só vai acontecer com quem aceitar esse fato e se jogar de peito aberto no mercado de trabalho.

Problemas ferramentais

Lamentavelmente ainda é grande o número de tradutores que investe em uma ferramenta, mas não consegue aproveitar por completo o que ela tem a oferecer. Muitas vezes isso se deve à falta de conhecimento técnico ou até mesmo ao conformismo de ter aprendido as tarefas essenciais, sem querer explorar melhor outros recursos que podem aprimorar o trabalho. Portanto, é comum conhecermos tradutores que nem sequer sabem que suas CAT Tools têm ótimos recursos de glossários, bases terminológicas e até mesmo listas personalizáveis de palavras permitidas/proibidas.

Depois de sondar um pouco melhor o assunto nos grupos de tradução do Facebook, foi possível perceber que nem todas as pessoas conseguem absorver bem as instruções de manuais escritos e tutoriais em vídeo, por mais simples que esse tipo de conteúdo possa parecer. No fim das contas, vimos que um determinado perfil de tradutores aprende muito melhor e mais rápido quando recebe orientação profissional especializada.

A medida corretiva do TransMit para isso ainda é segredo, mas posso adiantar que será bem interessante. Já estamos preparando um conteúdo excelente aqui nos bastidores para lidar com essa dificuldade, e prometo revelar tudo assim que estivermos com uma boa estrutura de atendimento a essa questão. Por enquanto, vamos deixar você na curiosidade…

Por fim, se você lembrou de mais alguma dificuldade típica da área de tradução ou até mesmo de algum problema pessoal que costuma pegar no seu pé com frequência, fique à vontade para deixar seu comentário. Quem sabe a gente não ajuda você a pensar em uma medida corretiva interessante?


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O que é e como usar o FTP?

FTP é um protocolo de transferên… ZzzzZzzzZZZz. Ok, vamos ser práticos e diretos: o FTP é a principal forma de enviar ou receber arquivos usada pelas empresas. Ele é simples, seguro, não há problema de confidencialidade e não há exatamente um limite de tamanho ou de tempo que o conteúdo pode ficar lá. Você pode nunca ter precisado, mas provavelmente um dia vai usar. Então decidimos explicar onde baixar e como instalar, configurar e utilizar.

Para transferir arquivos por FTP, você vai precisar de:

  • Um programa de FTP (basicamente qualquer um funciona, há milhares por aí);
  • O nome do servidor, login, senha e qualquer configuração específica do FTP da empresa;
  • Este tutorial.

 

Onde baixar um programa de FTP:

Se você não faz ideia de por onde começar, recomendamos o FileZilla. Pode não ser o melhor programa, mas ele é gratuito e tranquilo de usar. Para baixar, acesse o site: https://filezilla-project.org/download.php

Hoje, enquanto escrevemos este tutorial, a versão disponível é a 3.16.0. As versões atuais pedem para ser instaladas no Windows Vista ou superior. A instalação é simples e direta. No fim, ele vai perguntar se você quer abrir o programa. Pode abrir direto!

 

Como configurar e utilizar

Chegou a hora de copiar e colar informações. Aqui tudo é bem direto: você precisa pegar os dados que o cliente enviou e colocar no programa. O ideal é salvar essas informações para não ter que ficar copiando e colando tudo sempre que usar. No caso do FileZilla, basta ir até Arquivo -> Gerenciador de Sites. Se você clicar na seta para baixo, ele vai listar os servidores já cadastrados para agilizar sua conexão.

Como estamos adicionando um novo FTP, clique no botão Novo Site, e o campo para inserir a descrição deste novo FTP já vai ficar editável. Você pode digitar o nome do cliente ou da conta, tente pensar em algo que seja fácil de identificar depois.

 

Agora é a hora do copy and paste

Host: o endereço do FTP. Geralmente é formado por ftp.sitedaempresa.com.br, mas não necessariamente. O cliente precisa enviar essa informação. Após informar o host, mude o Tipo de logon para normal. Com isso, os campos usuário e senha vão ficar editáveis.

  • Usuário: informe o nome de usuário recebido
  • Senha: informe a senha recebida

Se você recebeu apenas isso do cliente, o FTP está configurado e pronto para uso: basta clicar em Conectar. No entanto, lembre-se de que todas as configurações dessa tela podem ser alteradas em alguns casos, se o cliente enviar configurações específicas, como porta, criptografia, protocolo ou mesmo outras opções das abas Avançado, Configurações de transferência e Mapa de caracteres.

Por acaso, se o FTP reclamar de Certificado desconhecido, não se preocupe; basta clicar em OK ou marcar a opção de sempre confiar naquele certificado. Fazendo isso, você não precisa clicar em OK todas as vezes que acessar.

 

Como usar o programa de FTP

Essa é a parte mais fácil, pois ele funciona praticamente como uma janela do seu Windows Explorer. Você navega entre as pastas e copia arquivos arrastando do FTP para o computador ou vice-versa. Só tenha cuidado para não apagar arquivos do servidor do cliente, pois ele pode ficar não muito feliz…

Por padrão, o lado esquerdo do FileZilla mostra os arquivos no seu computador, e o lado direito mostra os arquivos no FTP (Endereço remoto). Navegue até a pasta que você precisa e copie clicando e arrastando de um lado para o outro (do seu computador para o FTP ou vice-versa). Não se preocupe: fazendo isso, os arquivos serão copiados, e não movidos. A janela inferior de Arquivos na fila vai mostrar as transferências em andamento.

Terminada a transferência, é bom verificar se o tamanho dos arquivos (do servidor e do seu computador) é o mesmo, principalmente se você estiver enviando. Essa verificação rápida não é a ideal, mas geralmente é o bastante para evitar a transferência de arquivos corrompidos. Se o tamanho não for o mesmo após o upload completo, apague os arquivos e envie novamente.

 
Bruno F. Fontes.


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Quem já procurou o TransMit?

Depois de dois meses completos de TransMit “no ar”, recebemos e-mails praticamente todos os dias de pessoas interessadas em saber mais sobre o treinamento. Com base nas mais diversas experiências relatadas por essas (cerca de 100) pessoas, foi possível notar que, embora cada uma tenha suas peculiaridades, há determinados padrões.

Pensando nisso, surgiu a ideia de reunir essas informações em um post e pensar em alguns questionamentos: será que esses mesmos padrões se repetem em outros cursos? Como lidar com as necessidades de cada um desses grupos?

Bom, vamos entender um pouco melhor quem são os candidatos ao TransMit:

1- Tenho experiência, mas sinto que preciso melhorar
As pessoas desse perfil notam que, apesar da experiência de anos e de receberem trabalho frequentemente, é preciso melhorar. Essas pessoas percebem que a ausência de feedbacks por parte dos clientes é uma deficiência, uma carência que as faz se sentirem desorientadas, e por isso acabam tendo que buscar esses feedbacks por outros meios.

O interessante desse perfil é a constante sede de melhora. Mesmo que esses profissionais já estejam estabelecidos no mercado, para eles não basta fazer um trabalho medíocre e receber o dinheiro no final: é necessário investir no aprimoramento contínuo dos serviços prestados, o que traz a sensação de satisfação pessoal por fornecer um trabalho de boa qualidade.

2- Tenho experiência e formação em outra área, mas pouca ou nenhuma em tradução

As pessoas desse perfil se dividem em dois grupos: 1- Profissionais experientes e bem-sucedidos em outras áreas; 2- Profissionais que investiram em outra formação, mas, pelos mais diversos motivos, não se sentiram realizados.

As pessoas do primeiro grupo estão vivendo uma fase de desligamento da carreira anterior e buscam novos ares na tradução. A vida de freelancer lhes parece mais flexível, tranquila e gerenciável, e a nova rotina apetece mais do que trabalhar em um escritório fechado durante o horário comercial. Em geral, essas pessoas se sentem confortáveis para começar a trabalhar como tradutores por terem algum grau de convívio com a língua inglesa, mas também reconhecem a importância de se ajustar à realidade linguística da tradução.

Já as pessoas do segundo grupo tendem a ser mais frustradas, pois investiram em uma carreira que não rendeu os frutos desejados. Curiosamente, essas pessoas têm em comum uma dúvida: será que é válido mencionar essa outra carreira no currículo? Ou é melhor começar do zero? Costumo responder que todo conhecimento pode ser usado como um diferencial em tradução, principalmente no que tange ao domínio terminológico de uma área que nem todos os tradutores dominam. Ainda assim, em alguns casos a frustração é tanta que as pessoas preferem omitir a primeira experiência.

3- Não tenho experiência prática, mas tenho formação

As pessoas que se encaixam nesse perfil têm formação acadêmica (geralmente em tradução), fizeram cursos complementares e investiram em ferramentas e software/hardware necessários para começar a traduzir, mas não conseguem se inserir no mercado, ou começaram muito timidamente e recebem poucos trabalhos. Aliás, o interesse em obter uma certificação é muito maior nesse perfil do que nos outros.

Uma das marcas comportamentais desse grupo é a ansiedade. Essas pessoas já têm o conhecimento formal, mas estão ávidas para aplicá-lo o quanto antes a uma rotina prática de tradução. Consequentemente, a ansiedade gera desatenção no trato com os detalhes, como seguir uma instrução fácil e até mesmo ler um e-mail até o fim.

4- Não tenho formação nem experiência; não sei por onde começar

Esse quarto perfil consiste em pessoas que estão conhecendo agora o mundo da tradução. Elas conhecem alguém que traduz, ouviram falar sobre tradução, leram algum artigo relacionado ao assunto, mas ainda não sabem o que querem. É comum, por exemplo, que essas pessoas não saibam diferenciar as várias possibilidades de trabalho na área, como tradução técnica/editorial, interpretação, legendagem, dublagem etc.

Como o desconhecimento ainda é gritante nas pessoas desse perfil, até o momento nenhuma delas foi entrevistada para fazer o TransMit. Ainda assim, mesmo que não estejam aptas a começar, elas recebem um material com sugestões de livros, sites e blogs de profissionais renomados, vídeos, tutoriais e manuais das ferramentas de tradução, bem como outros recursos que possam apresentar um pouco melhor essa nova possibilidade de trabalho.

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Como já mencionado no início deste post, o TransMit está no ar há pouco tempo, e só poderemos confirmar essas tendências e perfis depois de termos mais corpus. Ainda assim, acredito que já chegou a hora de entender o público que nos procura e saber nos adaptar a cada uma dessas pessoas da melhor maneira possível. Portanto, se você é dono de algum curso, se já deu aulas ou se coordena algum empreendimento do tipo, sinta-se à vontade para deixar suas impressões aqui nos comentários. Quem sabe a gente não desenvolve melhor esse tema?